Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 16/12/2020
Em “Fahrenheit 451”, Ray Bradbury se debruça na criação de uma sociedade distópica marcada não pela extinção de livros, mas sim pela proibição de sua leitura. Como consequência, nas palavras de Edmund Burke, “Um povo que não conhece a sua história, está fadado a repeti-la.” O cenário da prática de leitura no Brasil é desanimador. Se dá início ao hábito através da obrigação sobre uma justificativa de dever e não pelo encanto. A falta de políticas educacionais e públicas que realizem uma conexão e possibilitem o acesso são os entraves da sociedade brasileira para com uma das fontes mais primitivas de conhecimento.
É sabido que no Brasil o hábito de leitura é de forma infeliz um ato majoritariamente praticado pela elite econômica. E não à toa, uma vez que os recentes atos políticos tem favorecido a sua continuação nas mãos deste mesmo grupo. É preciso conferir ao cidadão o direito a leitura e não o amonte de obstáculos, e enquanto perdurarem nas políticas públicas atos que sigam na direção contrária à universalização da prática, as classes basais continuarão subalternas às elites.
A maioria dos brasileiros se encontra com a literatura na escola e com o único intuito, em sua maioria, de decorar informações que mais tarde serão testadas em formatos de teste. Cria-se uma relação de condicionamento e má associação, pois se não há o entendimento, não há a pontuação e portanto, existe o castigo. Recria-se a situação de condicionamento teorizada por Pavlov. Nesse sentido, existe a necessidade de transfiguração da forma como a literatura é inserida no início da vida estudantil.
É conferido ao Ministério da Educação o direito e dever de formular políticas educacionais que obedeçam à realidade em que a sociedade se insere e nesse sentido, enquanto quisermos prosperar enquanto construtores do conhecimento, pesquisadores, bons profissionais, cidadãos e longevos estudantes, a universalização do hábito de leitura se faz indispensável.