Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 18/12/2020
Democratização da Leitura
“Um país se faz com homens e livros”, já dizia o autor de Narizinho, Monteiro Lobato. O que certamente ele não sabia era que mesmo se passado muitos anos dessa fala, a prática da leitura no Brasil ainda assim seria precarizada. Prova disso, de acordo com o levantamento feito pelo Instituto Pró-livro, é que mais da metade da população brasileira não tem o hábito da leitura. Isso acontece devido a desigualdade social que é tamanha no país e que atinge a democratização da cultura.
Diante desse cenário, o escritor Jorge Amado, eleito em 1945 a Deputado Federal, deu início à taxa zero de tributos de importação e publicação de livros, a fim de incentivar escritores e minimizar o custo final dos impressos, desse modo democratizando a leitura no Brasil. Porém, no atual governo, o Ministério da Economia pretende mudar o cenário e taxar impostos sobre os livros. Um dos argumentos utilizados pelo Ministro, Paulo Guedes, foi que a medida não atingiria as classes mais baixas, já que quem lê -as pessoas com maior poder aquisitivo- pode pagar mais caro. Desse modo, admite a desigualdade social e cultural no país, sendo até conivente para que ela continue.
Como comprovação do problema anterior, pode-se usar como exemplo, um levantamento feito pela Unb (Universidade de Brasília), em que 70% dos livros publicados entre 1965 e 2014 eram por homens. Destes, 90% eram de homens brancos, de classe média alta e nascidos no eixo Rio-São Paulo. Logo, longe de ser a realidade da maoiria da população brasileira. Foi pensando nisso, que o escritor Mateus Santana criou um projeto de inclusão “Bienal do Livro da Quebrada”, visando democratizar a leitura nas periferias do Brasil.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de criação de bibliotecas municipais onde ainda não existem, principalmente em locais menos favorecidos. Porém, os bibliotecários precisam ser instruídos corretamente para que sejam pedagógicos, a fim de que a biblioteca se torna um local atrativo para a população. As crianças, muitas vezes, não são influenciadas a ler, porque os seus pais também não tiveram a oportunidade. Sendo assim, é importante começar de algum lugar, para que no futuro a falta de leitura não seja prioritariamente pela ausência de oportunidade. Soma-se a isso, a inserção de um projeto de leitura na Base Comum Curricular, sendo comparado às demais matérias do ensino. Sabe-se que a democratização da leitura é um caminho longo a percorrer, mas ela é inerente ao ser humano e deve-se lutar por ela.