Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 19/12/2020
No século XVIII, quando uma parcela restrita da sociedade brasileira era alfabetizada o suficiente para ler, as famílias costumavam se reunir para promover a leitura de determinado texto a todos, geralmente feita pelos homens da casa, como a própria figura parental ou filhos homens mais velhos. Em contrapartida, na contemporaneidade todos os indivíduos recebem suporte para sua alfabetização, o que de certo modo deveria favorer a prática da leitura no Brasil. Entretanto, isso não é efetivado por causa do analfabetismo funcional presente na sociedade contemporânea, bem como da falta de estímulo à leitura aos indivíduos brasileiro.
Em primeiro lugar, evidencia-se como o analfabetismo funcional é um expressivo fator que não permite o hábito da leitura no Brasil. Nessa perspectiva, segundo o Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF), três a cada dez cidadãos brasileiros não têm a capacidade de interpretar aquilo que leem. Tal estatística demonstra como há, de fato, um desafio para se empregar a prática da leitura na sociedade brasileira, uma vez que é preciso uma população alfabetizada integralmente para que seja possível o cenário de um país com muitos leitores ativos. Com isso, os indivíduos não têm nem o estímulo para começarem a ler, visto que sabem que não conseguirão entender aquilo que estão lendo e acabam encarando a situação como uma perda de tempo.
Soma-se a isso o fato de os livros estarem se tornando menos acessíveis ecomicamente e, por consequência, estarem se tornando menos atraentes do que já são. Nesse sentido, embora o setor livreiro do Brasil esteja sempre tentando diminuir os valores dos livros por meio da isenção de impostos, o Governo Federal lançou, através da Reforma Tributária, a proposta de tributá-los, de forma que aumentariam os seus preços em 20%. Essa atitude econômica corroborará os desafios para que o hábito da leitura seja efetivo no Brasil, uma vez que, com o aumento do valor dos livros, as pessoas passarão a consumir menos esse tipo de mercadoria e, consequemente, lerão de maneira menos expressiva, justamente pelo fato de o preço servir como um estímulo à leitura.
Conclui-se, portanto, que os desafios para que o hábito da leitura seja efetivo no Brasil devem receber uma resolução. Decerto, cabe ao Ministério da Educação, por meio de cartilhas e das mídias sociais, compartilhar conteúdos que ensinam técnicas de leitura e de interpretação - visando o público analfabeta funcional - bem como trazer às emissoras aberta, como a TV Escola, programações de leituras de prosas ou livros de fácil compreensão, a fim de instigar o hábito na população. Além disso, o setor livreiro deve convocar a sociedade para manifestar contra a tributação dos livros. Assim, com todas essas medidas, teremos indivíduos indepedentes para lerem, diferente do Brasil do século XVII.