Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 03/01/2021
Segundo dados do site Agência IBGE Notícias, em 2017, a taxa de analfabetismo da população com 15 anos ou mais de idade no Brasil era de 7%, tendo no país, aproximadamente, 11,5 milhões de pessoas que não conseguem ler e escrever. Essas estatísticas podem ser traduzidas na falta de interesse da juventude na literatura, sendo essa uma consequência da leitura forçada (principalmente no meio acadêmico), junto à falta incentivo vinda do seio familiar.
Com base em uma lista disponibilizada pelo site Zoom, os 2 livros mais vendidos no primeiro semestre de 2020 foram, respectivamente, a saga Harry Potter, de J. K. Rowling, e As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. Analisando essas obras, é possível notar que o principal interesse literário dos consumidores está concentrado em livros de romance de fácil compreensão. No entanto, se observarmos os livros de literatura usados nas escolas, em grande maioria, são apenas os chamados clássicos da literatura – de autoria de escritores como Machado de Assis, Álvares de Azevedo e Graciliano Ramos –, que apesar de serem grandes obras, são complicadas de se compreender. Por conta disso, muitas vezes, os jovens, obrigados por suas escolas a ler esses livros, não conseguem se interessar por essas histórias, e, em grande parte dos casos, passam a não gostar de ler.
Aliado a isso, encontra-se a falta de incentivo familiar. Antes da década de 70 (época em que mulheres foram conquistando um espaço maior no mercado de trabalho), as famílias possuíam uma maior presença dos pais (principalmente da mãe). Mas com a entrada das mulheres no mercado trabalhista, o meio familiar foi se distanciando, e com o advento das novas tecnologias, o contato foi cada vez mais reduzido. Além disso, por causa da rápida comunicação, a vida ficou cada vez mais acelerada. Isso fez com que, hoje, os pais, por não terem tempo, ao invés de educarem seus filhos com uma base literária, entregam esses ao entretenimento fornecido pela tecnologia (séries, filmes, jogos, etc.), fazendo com que, cada vez mais, os jovens se afastem do mundo literário.
Sendo assim, é possível dizer que, se continuarmos a forçar nossos jovens a lerem livros complicados e desinteressantes para sua idade, e entregar quase que totalmente sua educação para os meios de entretenimento, eles irão acabar se afastando cada vez mais da literatura. Portanto, é necessário que as escolas percebam que os clássicos não são os melhores livros para introduzir jovens no mundo da literatura, e, por meio de pesquisas de preferência, reformem as listas de leituras obrigatórias nas instituições. Também é preciso que os pais cumpram seus deveres, ensinando desde a menor idade as vantagens da leitura. Com isso, os desafios para a leitura no Brasil poderiam diminuir.