Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 23/12/2020

Segundo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “modernidade líquida”, vivenciada pelo sociólogo durante o século XX. E, no Brasil, quando se observa os desafios para a prática da leitura, verifica-se que essa ideia encontra-se ligada à realidade do país, seja pela falta de investimentos por parte do Estado, seja por fatores ligados à sociedade.

A princípio, é inquestionável que os aspectos governamentais estajam entre as causas do problema. Segundo o sociólogo positivista Émile Durkheim, o Estado é a instituição máxima que permite o bom funcionamento da sociedade como um todo, de forma que o equilíbrio seja alcançado. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de investimentos rompe essa harmonia, uma vez que um possível aumento de impostos sobre os livros - sob o Projeto de Lei 3.887/2020, causaria um efeito cascata que impactaria diretamente o consumidor. Tal impacto fará com que o preço dos livros seja mais um impecilho para cativar novos leitores.

Otrossim, destacam-se os fatores sociais como impulsionadores do problema. Durkheim define fato social como os instrumentos sociais e culturais que determinam as maneiras de agir, pensar e sentir na vida de um indivíduo. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que grande parte da população brasileira não pratica o hábito da leitura. De acordo com a pesquisa “Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro”, esse número pode chegar a 44% da população. Tal hábito não se dá somente no ambiente escolar, mais também no meio familiar entre os pais e responsáveis e no meio social entre os amigos. Portanto, se o indivíduo está inserido em um meio em que não há estímulos à leitura, ele dificilmente desenvolverá esse hábito.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para o combate à liquidez citada inicialmente. Dessa meneira, o Tribunal de Contas da União (TCU) deve direcionar recursos, que por intermédio do Ministério da Educação (MEC), deverão ser aplicados nas instituições de ensino fundamental e médio para que crianças e dolescentes se desenvolvam tendo contanto com a leitura. Tais recursos devem ser investidos também na capacitação de professores para que possam oferecer a melhor experiência leitora possível para os alunos. Tudo isso através da criação de políticas públicas com o objetivo de fomentar a prática da leitura no Brasil. Cabe também ao MEC promover, nas escolas, atividades e projetos como ciclos de palestras e feiras de conhecimento que envolvam alunos e sociedade, de modo a abordar sobre tal problemática e as formas de como resolvê-la. Dessa forma, será possível contruir indivíduos comprometidos como o bem-estar da sociedade.