Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 21/12/2020
Na antiguidade, a leitura era um privilégio de nobres e intelectuais, restrita às classes de maior poder aquisitivo. Ao longo da história, a prática se tornou acessível e passou por um processo de popularização, apesar de hodiernamente enfrentar significativa queda de seu exercício. Em vista disso, é necessário discutir os empecilhos enfrentados pelo hábito da leitura no Brasil.
Inicialmente, convém destacar que as idiossincrasias da sociedade contemporânea estão pautadas na ideia do filósofo Zygmunt Bauman de “modernidade líquida”, com relações cada vez mais velozes e efêmeras. Partindo desse pressuposto, é possível atestar que o fato da literatura enfrentar baixa adesão entre a população tem como uma das motivações o advento das redes sociais, que são imediatistas e rápidas, enquanto a leitura tem características contrárias. Segundo pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” realizada em 2016, 41% dos que não leem afirmam não gostar de ler ou não ter paciência, dado que afere a busca pela agilidade em contrapartida ao apreço pela literatura.
Além disso, a falta de incentivo é outro fator contraproducente, principalmente durante a infância, posto que a mente de uma um indivíduo é moldada ao longo de seu processo de amadurecimento e que suas influências nesse período são fortes definidores de hábitos; de acordo com um dado do Inaf de 2019, 65% dos entrevistados afirmam que figuras parentais influenciam no gosto pela literatura e 35% citam professores como responsáveis por suscitar esse hábito. Desse modo, ausência do encorajamento à leitura atua como agente dos baixos índices de leitores, renovando um ciclo de adultos que em sua juventude não tiveram amparo e ao criarem seus filhos reproduzem o mesmo comportamento.
Portanto, diante das problemáticas expostas, depreende-se a proficuidade de uma ação do Estado em conjunto com o Ministério da Educação visando fomentar o hábito da leitura, mediante a criação de oficinas de leitura — com encontros mediados por professores e escritores locais convidados — nas redes de ensino públicas e particulares, com o projeto não se limitando apenas aos estudantes das instituições, todavia sendo aberto para a comunidade. Assim, permitindo a participação de indivídiduos de todas as faixas etárias, o projeto cumpriria seu intituito de proporcionar oportunidade para aqueles que desejam cultivar o hábito de ler independente de gênero, escolaridade e classe social. Ademais, a promoção de feiras periódicas de venda e troca de livros traria maior acessibilidade para a aquisição desses, promovendo ambientes de socialização e troca de conhecimento. Destarte, a prática da leitura é propiciada no Brasil, garantindo o alcance da população ao conhecimento e à cultura.