Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 22/12/2020

Durante regimes totalitários, como na ditatura militar brasileira da segunda metade do século XX, uma atitude comum é a censura, que sempre inclui uma lista de livros proibidos. Essa medida mostra que o livro é capaz de levar o cidadão ao esclarecimento, o que acarretaria uma contestação contra o regime autoritário. Nesse sentido, é notória a importância da leitura na formação de um brasileiro consciente. Assim, é relevante abordar os desafios para essa prática no Brasil.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que o papel da escola é essencial no incentivo a prática da leitura. Segundo o filósofo Sartre, a existência precede a essência, isto é, primeiro o ser nasce e depois desenvolve sua essência durante sua formação. Nessa lógica, ninguém nasce leitor, torna-se ao longo da vida. Desse modo, a escola, como grande responsável pela formação intelectual do cidadão, deve ter a leitura obrigatória na grade curricular, para poder desenvolver esse hábito na população desde tenra idade. Isso é importante, pois esses jovens poderão manter essa prática na idade adulta e, inclusive, incentivarão seus filhos, possibilitando o aumento de leitores nas próximas gerações.

Acerca disso, vale argumentar sobre o porquê de a obrigatoriedade não ser negativa. Muitos podem afirmar a imposição é ruim porque o aluno lerá apenas para ganhar nota, mas isso não será exclusividade da aula de leitura, uma vez que todas as outras matérias também são ensinadas para o estudante passar nas provas e isso nunca impediu que eles tomassem gosto por uma disciplina em particular. Sob esse viés, apresentar a leitura às crianças e aos adolescentes é essencial para que decidam, assim como em qualquer outra matéria, se continuaram ou não desenvolvendo essa atividade na sua vida adulta.

Diante do exposto, faz-se necessário que o Ministério da Educação desenvolva um plano nacional de leitura, que deverá ser aplicado tanto em escolas públicas quanto em particulares, com o intuito de selecionar livros anuais, de acordo com a série, que os estudantes do país deverão ler. A execução desse plano será por meio de parcerias público-privada com editoras e livrarias nacionais que se responsabilizarão pela distribuição dos livros. Só assim, o Brasil conseguirá vencer os desafios que dificultam a prática da leitura.