Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 23/12/2020

“Um povo que lê nunca será um povo escravo”. Essa frase de Antônio Lobo Antunes ressalta a fundamental importância dos livros para a construção de uma sociedade democrática. Contudo, apesar disso, o Brasil ainda apresenta dificuldades em consolidar e disseminar esse hábito na população. Sob tal ótica, o direito à prática da leitura tem encontrado desafios em ser democratizado para todos os brasileiros devido à baixa qualidade da educação e à falta de estímulos dentro de casa.

Inicialmente, o ensino de má qualidade atrapalha no desenvolvimento do amor pela literatura. De acordo com a Prova Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA), realizada em 2018, o Brasil ocupou a 58º posição, dentre 79 países, no exame de linguagem. Diante disso, percebe-se que os alunos não recebem o aprendizado necessário para a construção de uma leitura proficiente, consequentemente, não se desperta neles o  prazer de ler, porquanto essa atividade torna-se penosa e enfadonha. Nesse sentido, a precaridade do ensino de português no nível básico faz com que esse, ao invés de promover a leitura, acaba por dificultá-la.

Outrossim, a falta de incentivo a leitura no ambiente familiar atrapalha na consolidação dessa prática. Em consonância com Pierre Bourdieu, o conceito de “Habitus” é caracterizado pela incorporação, por parte do indivíduo, de valores e costumes do grupo social em que está inserido. Dessa forma, o processo de socialização, iniciado na interação da criança com os seus pais, é capaz de inserir hábitos no indivíduo. Por conseguinte, para que o amor à leitura exista nas pessoas é imprescindível o estímulo e o exemplo dos familiares com o presenteamento de livros e a narração de histórias que prendam a atenção das crianças.

É mister, portanto, que medidas sejam tomadas para garantir a extensão do acesso à literatura no Brasil. Logo, cabe às escolas inserirem os pais no processo de leitura das crianças, por meio da realização de palestras que contem com a participação de linguistas, professores de português e os responsáveis dos alunos, as quais mostrarão a esses a importância que exercem para a fomentação do hábito de ler. Ademais, os familiares deverão fiscalizar se os estudantes estão com níveis satisfatórios de proficiência na compreensão dos textos e solicitar ajuda aos docentes do colégio quando não. Espera-se, assim, que haja uma integração entre escola e responsáveis para que o amor à literatura seja incentivado e esse hábito se perpetue na vida das crianças.