Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 23/12/2020

O filósofo Voltaire afirmava que “a leitura engrandece a alma”, desse modo, é possível inferir a relevância da leitura no desenvolvimento do ser humano. Analogamente, o Brasil desconsidera esse ideal à medida que se evidencia a falta de incentivo literário no país. Nessa perspectiva, o desinteresse da população em adquirir o hábito de leitura vem crescendo, devido a dois fatores: a baixa visibilidade desse hábito na sociedade e negligência do Estado frente à problemática. Dessa maneira, faz-se necessário o debate acerca dessa pauta.

Em primeiro plano, evidencia-se que é decrescente o número de leitores brasileiros, uma vez que não é concedida a devida atenção ao assunto. Essa afirmação pode ser confirmada a partir dos dados do Instituto Pró-Livro, onde foram registrados que apenas 56% da população têm hábito de leitura. Dessarte, percebe-se que este é um problema silenciado, uma vez que não há uma ampla divulgação midiática de dos benefícios em ler, por exemplo. Esse fato leva à concepção de que a leitura não tem relevância suficiente nos esportes do Brasil, realidade que, inclusive, é afirmada por Carlos Drummond de Andrade, que diz: “a leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas nem todos têm essa sede”. Logo, urge que a literatura seja mais divulgada no Brasil.

Outro ponto importante é a insuficiência do poder público, no que se refere à construção de bibliotecas em escolas, como mostra os dados do Inep, onde apenas 45% das escolas públicas possuem bibliotecas. Em vista disso, cabe inferir o Contrato Social, proposto pelo sociólogo John Locke, o qual reitera a responsabilidade do Estado em fornecer o bem-estar coletivo. Diante dessa premissa, posto que os governantes brasileiros não promovam medidas que visem estimular a leitura, a população experimenta a agonia, então, se encontram longe do estado de plenitude, verifica-se, portanto, uma deplorável divergência entre o Contrato de Locke e o governo brasileiro.

Logo, a partir dos argumentos mencionados, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com ONGs, crie projetos que visem mitigar o problema. Com base nessa premissa, é primordial que, por intermédio de propagandas midiáticas, ocorra a divulgação de programas de arrecadação de livros, a fim de doá-los para escolas públicas. Para mais, recorrendo novamente às mídias, é essencial o incentivo à leitura de forma lúdica e criativa com o objetivo de aumentar os dados de leitores no Brasil. Tudo isso com o propósito de que a população, enfim, possa se beneficiar do prazer inesgotável que Carlos Drummond de Andrade dizia.