Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 08/01/2021
Segundo o educador Anísio Teixeira, a prática de leitura pode ser transformadora para um sociedade. Não à toa, na obra distópica “Fahreinheit 451”, do Ray Bradbury, os livros são itens proibidos já que podem elevar a consciência da população sobre sua situação, e assim, são uma ameaça ao governo autoritário. Já no contexto brasileiro, apesar da livre circulação desses produtos, o país ainda enfrenta dificuldades para consolidar uma prática de leitura entre seus cidadãos, especialmente por deficiências na sua estrutura educacional e barreiras econômicas para o acesso as obras literárias e acadêmicas.
Em primeiro lugar, cabe destacar que os altos índices de analfabetismo “stricto sensu” e funcionais ainda são fatores que dificultam a prática de leitura no país. Em relação ao primeiro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 8% dos brasileiros maiores de 15 anos ainda sabem ler ou escrever. Já para o segundo, o Instituto Paulo Montenegro indica que dentre os alfabetizados, 87% não possuem proficiência na leitura e interpretação de textos. Em outros termos, sem a universalização do desenvolvimento adequado das competências e habilidades para criar leitores no Brasil, têm-se um desafio primeiro para uma nação que busque popularizar a leitura.
Não obstante, em que pese haja dispostivos constitucionais para o facilitar o acesso aos livros, como vedação de cobranças de tributos em toda a cadeia produtiva desses bens, o fator econômico ainda é uma barreira para a prática de leitura. Por exemplo, os dados do IBGE demonstram que mais de 40 milhões de brasileiros vivem com uma renda mensal de R$ 413,00 - menos da metade do valor do salário mínimo atual. Com o agravante de pouco mais de 70% da receita do mês do cidadão de classe baixa e média serem consumidas com habitação, alimentação, transporte e saúde, segundo o Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada. Ou seja, no final do mês, mesmo que haja intenção de comprar livros, diante das necessidades de sobrevivência, não sobra dinheiro apesar da isenção de impostos que visa baratear os valores dos livros.
Nesse sentido, fica claro, portanto, que há desafios para a prática de leitura no país. Assim, faz-se necessário para desenvolvimento da competência de leitura que o Governo Federal crie mecanismos, como a recomposição do orçamento da Educação, para cumprimento das metas para erradicação do analfabetismo, estabelecidas no atual Plano Nacional de Educação. Em consonância, para o incentivo à compra de livros, o Executivo Federal pode criar um Programa Nacional de Popularização da Leitura, a partir de parcerias com as editoras e revendedoras de livros. Esse projeto pode, por exemplo, induzir os consumidores brasileiros a juntarem notas fiscais de diversos consumos para serem trocadas por vales compras, com um valor pré-estabelecido, para aquisição de obras.