Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 28/12/2020

Sob a ótica do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, “a violência é sempre uma derrota, seja qual for a maneira como ela se manifesta”. Com efeito, percebe-se que a prática escassa de leitura no Brasil remete à premissa de Sartre, uma vez que representa uma violência contra o intelecto do indivíduo. Nesse contexto, faz-se urgente avaliar a redução do orçamento na área da educação e os impactos da leitura.

Nessa perspectiva, é válido postular o afastamento de crianças e jovens em relação à literatura causado pelo descaso do governo para com a seara educacional. De acordo com o censo realizado pela Secretaria do Tesouro Nacional, as despesas do governo com educação vêm registrando queda nos últimos anos. Como consequência, a instauração de programas de leitura, bem como a construção de bibliotecas dentro das escolas, é impossibilitada, visto que não há verbas suficientes para suprir os gastos das instituições de ensino. Dessa forma, conclui-se que o contato da geração atual e das gerações futuras com a leitura é precário, tendo em vista a ausência do ambiente literário nas escolas.

Por conseguinte, deve-se avaliar a importância dos livros no desenvolvimento da escrita e do vocabulário, na incitação do senso crítico e na prevenção de doenças degenerativas como o mal de Alzheimer. Além disso, a psicologia afirma que leitores possuem maior capacitade de sentir empatia e criatividade, além de serem menos propensos ao preconceito e a discursos de ódio, posto que são expostos às mais variadas realidades presentes nas obras literárias. Percebe-se, então, que a prática insuficiente de leitura no país coíbe a formação de indivíduos intelectualmente autônomos, saudáveis, emocionalmente desenvolvidos e tolerantes em relação aos seus demais.

É mister, portanto, buscar soluções para esse impasse. Para tanto, urge que ativistas políticos educacionais realizem mutirões em vias públicas e em redes sociais, por meio da mobilização popular pacífica, objetivando pressionar o governo a ampliar o orçamento estudantil e, assim, possibilitar a construção de bibliotecas. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, por meio da veiculação de campanhas publicitárias, sobretudo nas redes sociais mais utilizadas pela população, divulgar publicações acerca dos benefícios trazidos pela prática da leitura, com fito de estimular o interesse da população em obras literárias. Assim sendo, a violência contra a educação, citada por Sartre, será erradicada do Brasil.