Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 30/12/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange a leitura, pois o hábito de ler, sendo de sua importância para a formação do cidadão brasileiro, deixa a desejar. Com isso, urge refutar as causas desse impasse, como a omissão familiar diante deste exercício em simetria com a alta taxa sobre o setor literário, a fim de proporcionar os benefícios contidos na leitura para toda população nacional.

Em primeira instância, vale ressaltar que a falta de incentivo familiar, em relação ao hábito de ler, colabora para acentuar a problemática. Segundo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de racicínio, a debilidade na leitura se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança permeia um meio onde seus familiares não expressam a prática da leitura na fase inicial do desenvolvimento cognitivo desta, ela tende a tornar um adulto desinteressado em livros, por causa da influência atribuída desde pequena. Logo, torna-se necessário reverter o cenário familiar.

Paralelamente a isso, destaca-se o alto valor dos livros como motor desmotivador dos leitores brasileiros. Nesse ínterim, verifica-se uma alta taxação de impostos sobre as obras literárias, devido a atual reforma tributária apresentada pelo ministro da economia Paulo Guedes. Diante desse patamar, o acesso a livros ocasiona a exclusão de significativa parte da população, haja vista que com o elevado preço, os leitores da classe econmicamente desfavorecida perdem o poder de compra. Portanto, os tributos estimulam a contenção de livros nas prateleiras das livrarias, que por sua vez reduz  a leitura na sociedade brasileira.

Destarte, entende-se que a leitura no território nacional apresenta lacunas a serem preenchidas para que mais leitores sejam alcançados. Assim, emerge-se imperativo que a família incentive a prática de ler, por meio de leitura junto à criança em casa, semanalmente, durante toda a fase da primeira infância, a fim de formar cidadãos envolvidos com a leitura. Ademais, compete ao Ministério da economia retirar os impostos requeridos na reforma, mediante anulação da cláusula imposta, com o objetivo de não só diminuir os preços dos livros, mas também permitir maior acesso as livrarias pelos leitores de baixa renda. Desse modo, o país terá, gradualmente, maior número de indivíduos no desfrute das páginas letradas que proporcionam melhor formação para a nação brasileira.