Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 08/01/2021
Segundo o educador e filósofo Paulo Freire, a leitura de mundo precede a leitura da palavra. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea brasileira é o menosprezo pelas práticas de literacia, o que dificulta a concretização da teoria freireana. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que dificultam essa prática.
Precipuamente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para a valorização da leitura. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, é possível perceber que, no Brasil, a universalização do hábito da leitura ainda é uma utopia, visto que as pessoas que vivem em condições de vulnerabilidade socioeconômica são, muitas vezes, negligenciadas pelo Estado e perdem o acesso à materiais pedagógicos que estimulam a leitura. Dessa forma, o que provém desse descaso com essa parcela da população é o aumento contínuo no número de analfabetos funcionais e pouco qualificados para o mercado de trabalho, o que infelizmente é evidente no país.
Outrossim, é fundamental apontar a carência da prática de literacia familiar como impulsionador do problema. De acordo com o atual secretário de alfabetização Carlos Nadalim, os pais são os primeiros professores dos filhos, uma vez que as crianças aprendem a falar a língua no seio familiar. Diante disso, é notório que o desdém familiar no hábito de leitura - indispensável para a formação de crianças e jovens - impossibilita o desenvolvimento cognitivo, a construção de um vocabulário avançado, de senso crítico e de uma visão de mundo progressista. Por conseguinte, ao chegar na fase adulta, esses indivíduos ficam à margem da sociedade por falta de capacitação e proficiência, já que sem a leitura plena, a educação fica prejudicada. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Urge, portanto, medidas necessárias para resolver o impasse. Cabe, então, ao Ministério da Educação, por intermédio de projetos e programas de inclusão educacional, ampliar o financiamento para a aquisição e produção de materiais pedagógicos, além da distribuição para as zonas mais carentes e afastadas, com foco na população desprivilegiada economicamente, a fim de democratizar o acesso à livros didáticos. Ademais, em consonância com as universidades e as mídias, por meio de palestras e campanhas, informar aos cidadãos a importância da prática da leitura e sua contribuição para a aprendizagem ao longo da vida. Assim, torna-se-à possível a efetivação dos elementos elencados na teoria do patrono da educação brasileira Paulo Freire.