Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico soberano do país, prevê em seu artigo 5°, o direito de acesso à cultura como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observam os desafios para a prática da leitura no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse importante direito social. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar o possível aumento do preço dos livros resultante de proposta de reforma tributária feita pelo Governo Federal como contribuinte para a permanência dos baixos índices relacionados à prática de leitura no Brasil. Nesse sentido, segundo Marcos Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e editor da Sextante, haverá uma redução na aquisição dos livros devido à elevação do preço. Diante de tal exposto, é notório que o leitor ou possível leitor será prejudicado, levando em conta maior obstáculo financeiro para o acesso ao livro. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre satisfatóriamente sua função de garantir que todos os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como de acesso à cultura, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais eficientes para consolidar a dissseminação do hábito da leitura nas escolas, tendo em vista a maneira pela qual o próprio sistema de ensino encara a leitura - o livro na escola geralmente é tratado apenas como material necessário para uma avaliação somatória. Logo, o resultado desse tipo de tratamento evidencia-se no fato de que pouco mais da metade da população - 56% de acordo com dados da pesquisa “Retratos da Leitura” do Instituto Pró-Livro - pratica o hábito da leitura. Nesse sentido, tal problemática permeia a sociedade e culmina em falta de interesse de parcela significativa dos cidadãos por tal hábito desde a educação básica, distanciando-os da cultura literária, tão significativa para a formação do(a) estudante e da pessoa.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que as escolas de educação básica em geral organizem oficinas educativas nas quais ocorram rodas de leitura utilizando livros oferecidos pela biblioteca escolar e rodas de conversas mediadas pelos professores com o intuito de esclarecer a importância do hábito da leitura, destacando-o como fonte de prazer e conhecimento a fim de criar uma nova visão nos alunos a respeito do livro. Assim, haverá a aproximação entre o cidadão, a leitura e consequentemente, o conhecimento.