Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 12/01/2021

No Egito Antigo, a habilidade de leitura era privilégio apenas dos escribas, um grupo social muito pequeno e elitizado. Análogo a isso, no Brasil atual, apesar de, a alfabetização ser muito mais ampla do que na época mencionada, a prática de leitura ainda é uma habilidade que precisa ser democratizada. Assim, entende-se que o hábito de ler, tão importante para o desenvolvimento de habilidades criativas e linguísticas, ainda esbarra em desafios, como a falta de acesso a livros e de literacia familiar.

Em primeiro plano, os livros no país não são acessíveis a todas as parcelas da população. Além de serem caros para grande parte dos salários brasileiros, ainda não são ofertados gratuitamente pelo governo para todos os brasileiros. Prova disso, são os dados do Inep ( Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), que mostram que 55% das escolas brasileiras não têm bibliotecas ou salas de leitura. Logo, aqueles que não têm poder aquisitivo para adquirir as obras, são privados delas.

Ademais, o escasso incentivo familiar à leitura faz com que as crianças cresçam sem o costume de ler. Nesse viés, sabe-se que, assim como explicou Paulo Freire, a leitura precisa ser um ato de amor, então os pais devem ser os primeiros a ler para seus filhos, de forma a incentivar o belo ato e  também demonstrar carinho e suporte. No entanto, considerando que, segundo os Retratos da Leitura feitos pelo Instituto Pró-livro, 44% dos brasileiros não têm hábito de leitura, não há a passagem dele de pais para filhos.

Portanto, exortamos a necessidade de políticas públicas para solucionar os desafios da prática de leitura no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação deve exigir que todas as escolas do país tenham uma biblioteca para os alunos frequentarem. Outrossim, deve impor a aberturas delas à noite, ao menos uma vez na semana, para realização de eventos de contação de histórias e saraus de leituras para pais e filhos. Isso deve ser feito com a distribuição de livros para as famílias e momentos de leitura conjunta, para assim, além de ofertar as obras, incentivar a literacia familiar. Dessa forma, será possível aumentar o número de leitores do país, tornando o hábito democratizado, diferente do estratificado Antigo Egito.