Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 09/01/2021

Segundo o crítico literário norte-americano Harold Bloom, a prática de leitura é fundamental, não somente para a construção de conhecimento, como para a formação de senso crítico - habilidade de análise e interpretação da realidade - no público leitor. Mesmo com a ampliação e facililitação do acesso à leitura, por meio da tecnologia digital, brasileiros leem pouco em comparação com a média de outros países.

Seguramente, o pouco incentivo das escolas e responsáveis na formação do hábito da leitura em jovens e crianças, costume que muitas vezes é carregado durante toda a vida e transmitido às próximas gerações, é notável. De acordo com o presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL) cerca de trinta porcento dos professores se declaram não leitores. Ou seja,  não só é necessária uma reforma curricular, como também uma melhora na capacitação dos profissionais de ensino.

Certamente, a prática insuficiente de leitura tem resultados políticos e sociais facilmente observáveis. Exemplificando, a curto prazo gera inabilidade de se informar e a longo prazo gera indivíduos facilmente manipuláveis, justamente pela incompetência em interpretar textos e discernir fato e invenção. Em adição, tal problema contribue para a manutenção das desigualdades econômicas visto que afeta de forma mais contundente a população pobre - a parcela com menos anos de estudo.

Em suma, para que a população brasileira leia mais e com mais qualidade, textos mais complexos, é preciso que o Estado juntamente com a sociedade civil e profissionais da àrea educacional proponham reformas no ensino fundamental que tornem obrigatória e rotineira a leitura, essencial para o desenvolvimento da cidadania. Tais mudanças incluiriam tanto literatura nacional como estrangeira, o que expõe os alunos a uma variedade de reflexões que estimulam o aprendizado.