Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/01/2021

No conto “O País dos Chapéus”, o autor Rubens Alves apresenta a história de um rei que gostaria que seus súditos fossem inteligentes, por isso acreditou na falácia de dois chapeleiros, os quais diziam que todas as pessoas mais sábias usavam chapéus, mas mesmo usando tal adereço a população continuou intelectualmente  estagnada. Analogamente ao texto, tendo em vista que não existe atalhos para transformar um indivíduo em apaixonado leitor, os excassos incentivos à leitura, no Brasil, são frutos da ausência de uma educação que preze pela valorização cultural. Dessa forma, a falta de reconhecimento na importância da contemplação de livros resulta em muitos impasses para o panorama de um país leitor, entre eles, dois grandes desafios: a falta de democracia nessa seara e a carência de acessibilidade.

Sob tal perspectiva, o Programa Prazer em Ler desenvolve uma ação de apoio e de incentivo à leitura, o qual visa fomentar o gosto por essa prática por meio da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas. Entretanto, embora projetos como esse atenda diversos públicos nas comunidades onde estão inseridos, eles não são tão notados e apoiados, tanto pela sociedade engajada, quanto pelo governo, como deveriam. Essa falta de amparo atrapalha a ampliação e o continuamento de trabalhos belos e necessários, como o da RNBC, para uma população desprovida de recursos financeiros e com pouca influência domiciliar no que tange à exploração da literatura.

Além disso, é inegável que a leitura é uma ferramenta indispesável para que os cidadãos adquiram criticidade para a vida, a qual auxilia no desenvolvimento da população ao todo. No entanto, não são todos indivíduos que conseguem aproveitar uma obra, pois não lhes são acessíveis, isto é, para que muitos deficientes consigam desfrutar de tal cultura são necessários mediadores aptos, como também produtos deferenciados. Nesse contexto, a “WG Produto” trabalha com livros inclusivos, bem como tem a missão de sensibilizar a sociedade a enxergar essas pessoas sem estigma de pena. Todavia, para que haja credibilidade no acesso para PCDs é primordial que existam indivíduos treinados, profissional e emocionalmente, para lidar com a mediação acessível.

Portanto, o Ministério da Educação, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, deve aumentar a emenda destinada às bibliotecas públicas, para melhorar o acervo de obras, como também promover um treinamento destinado aos mediadores de leitura, juntamente com psicopedagogos, desenvolvendo habilidades e táticas, para viabilizar uma expêriencia marcante nos que possuem dificuldade de ler sozinhos. Como efeito social de tais ações, os desafios para a prática de leitura no Brasil serão mitigados, e o panorama deixará de ser semelhante ao “País dos Chapéus”.