Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 10/01/2021

De acordo com o pensamento de Aristóteles, grande filósofo da antiguidade, o conhecimento era valorizado e visto como a âncora responsável para se obter a plenitude da essência humana. Diante disso, destaca-se a importância da leitura, tanto para a construção individual do ser quanto para o surgimento de uma sociedade mais engajada. No entanto, ainda há entraves, como a elitização dos preços e a negligência da família no incentivo para a leitura, que dificultam o processo de tornar democrático e satisfatório o acesso ao livro no Brasil. Nesse contexto, discussões acerca da carência da leitura devem ser postas em vigor, a fim de serem devidamente compreendidas.

Convém ressaltar, em primeiro plano que, assim como fora promulgado pela Constituição Federal, todos os cidadãos brasileiros possuem o acesso igualitário ao bem estar social. Porém, é fulcral que as livrarias apontam em direção, principalmente, aos espaços reservados a elite socioeconômica, o que torna inquestionável a presença de uma segregação, no qual a população mais pobre tende a sair pela tangente no quesito intelectualidade. Nessa lógica, parafraseando o escritor Antônio Lobo, um povo que possui acesso à leitura nunca será um povo escravo, o que reforça ainda mais a importância do livro como base do entendimento.

Sob esse viés, é valido ressaltar a importância que o grupo familiar exerce na construção do hábito da leitura. À luz dessa perspectiva, de acordo com o sociólogo americano Talcoltt Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas, ou seja, atua de maneira direta na construção do indivíduo. Contudo, práticas de incentivo à leitura desde a infância, por parte dos responsáveis, como a compra de revistas e gibis, são pouco recorrentes nos lares brasileiros, e a responsabilidade de ensino é delegada, muitas vezes, apenas ao ambiente escolar. Dessa forma, pela negligência dos responsáveis, as crianças crescem e se transformam em adultas incapazes de entender a relevância da literatura.

Portanto, é mister que órgãos responsáveis tomem providências para amenizar o quadro atual. Desse modo, urge que o Governo em parceria com o Ministério da Educação, promova maiores incentivos e acesso aos livros – por meio da instalação de bibliotecas públicas nas áreas mais periféricas e em parcerias com empresas do ramo bibliotecario para que os preços se tornem acessível para todos – a fim de evitar a insuficiência intelectual presente nos membros da classe mais baixa. Além disso, o grupo familiar deve acompanhar a trajetória dos filhos desde a infância, incentivando os jovens a buscarem os livros, no intuito de conquistar a tão esperada essência humana pregada pelo filósofo Aristóteles.