Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Na obra literária “A menina que roubava livros”, é revelada a realidade de Liesel, uma garota que, durante a Segunda Guerra Mundial, demonstra fascínio pela leitura e, por conta de sua condição financeira, passa a roubar livros. Fora da ficção, os interesses da população tupiniquim divergem dos de Liesel, uma vez que quase metade dos brasileiros são considerados não leitores. Logo, torna-se válida a análise das causas e consequências do entrave supracitado, a fim de amenizá-lo.
Em primeiro momento, segundo o economista britânico Sir Arthur Lewis, a educação nunca foi despesa, mas sempre investimento com retorno garantido. No entanto, o Estado age de maneira contrária ao pressuposto por Lewis, de maneira que dificulta a circulação literária, por meio da implantação de projetos de leis que tornam os livros mais caros, elitizando-os. Dessa maneira, o conceito de “Contrato Social”, do filósofo contratualista John Locke, é violado, de modo que o governo não garante à massa civil o direito à educação, fundamental para o desenvolvimento intelectual e social do indivíduo.
Consequentemente, de acordo com o Instituto Paulo Montenegro e a Ação Educativa, 29% dos brasileiros são analfabetos funcionais, algo que ocorre quando a capacidade dos cidadãos de interpretar, compreender e analisar textos, sendo eles publicitários ou notícias, é comprometida pela falta de leitura e estudo. Diante disso, tornam-se sucintos às “fake news” e manipulações midiáticas, o que afeta, muitas vezes, em decisões importantes tanto na vida social, quanto na vida política, como em eleições. Com isso, faz-se necessária mudança na conjuntura vigente para mitigar a problemática.
Depreende-se, portanto, que a leitura é uma ferramenta de extrema importância para a democracia e para o desenvolvimento do ser humano, e, por isso, deve ser valorizada. Para isso, é imperativo do Estado, em conjunto com o Ministério da Educação, implementação de projetos gratuitos dedicados ao ensino e à prática de leitura, por intermédio de uma rede de instituições públicas voltadas à temática, nas quais seriam disponibilizadas obras literárias de diversas temáticas, professores de gramática e literatura e aulas para ensinar o indivíduo a ler, interpretar e opinar criticamente textos, a fim de assegurar à população o comprometimento com o direito vital à educação. Além disso, as redes sociais devem promover campanhas voltadas à importância da leitura na formação da sociedade, para conscientizar o corpo social. Quiçá, desse modo, o futuro tornar-se-á provido de real ordem e progresso.