Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 11/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem reverberado com ênfase na prática quando se observa os desafios para a prática de leitura no Brasil, dificultando, desde modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a defasagem do habito de leitura no território brasileiro. Nesse sentido, é necessário ressaltar a falta de acesso aos livros, e as bibliotecas públicas onde poderiam sanar essa dificuldade em sua maioria estão sucateadas. De acordo com dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), são 6057 unidades sendo que um terço delas se concentram no Sudoeste do país. Além desse baixo número, é importante analisar sua acessibilidade, se tem um bom acervo e seu funcionamento.

Ademais é fundamental apontar a falta de estímulo como o impulsionador desse problema no Brasil. Segundo o Instituto Pró Leitura, 43% dos entrevistados responderam que a falta de tempo é um dos principais motivos para não fazer leituras regulares e apenas 5% disseram que não gostam de ler. A pesquisa também indica que a dificuldade para ler diminuiu desde 2007 (eram 48% dos entrevistados com dificuldades em 2007 e 33% em 2015) e a falta de paciência foi o maior problema apresentado para não lerem (11% disseram não ter paciência para ler em 2007. Em 2015, foram 24%). Diante de tal exposto é possível perceber que a falta de motivação é o maior problema da sociedade brasileira, que não é estimulada pelos pais e muito menos pela escola, este lugar que inclusive associa a leitura somente aos livros didáticos e não a cultura e lazer, criando muitas vezes pessoas crentes que não gostam de ler. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso é imprescindível que o Estado, por intermédio do Ministério da Educação, faça melhorias nas bibliotecas públicas, além de abertura de novas, com um vasto e diverso acervo e uma boa disposição dos livros. Além disso, os pais em conjunto com a escola devem estudar sobre novas estratégias e técnicas para inserir uma leitura prazerosa desde cedo na vida das crianças. Assim, se consolidará uma sociedade mais letrada, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma o filósofo John Locke.