Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Para o filósofo Karl Popper, a leitura propicia não apenas a aquisição de conhecimentos, mas a descoberta de outras pessoas dentro do próprio leitor. Apesar de sua grande importância, no Brasil contemporâneo, o hábito de ler vem diminuindo drasticamente em uma população que se encontra cada vez com menos incentivos à prática dessa atividade. De modo a compreender o tema, a inacessibilidade das obras e a crise econômica são dois tópicos importantes a serem discutidos.
Primeiramente, é preciso afirmar que o mercado de livros, ainda que tenha preços baixos nominalmente, não está ao alcance de toda a população, à medida que muitos ainda não tem pleno acesso ao setor. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 53% dos brasileiros têm como renda até dois salários mínimos. Tal fato mostra que , em uma sociedade onde a maioria possui mais de um filho em média, além de apresentar sérias dificuldades para quitar dívidas, o consumo de produtos não essenciais, como os livros, se encontra cada vez mais dificultado. Por consequência, apenas a classe média e alta é capaz de comprar esses produtos, situação que caracteriza uma acentuada desigualdade social. Portanto, medidas severas devem ser tomadas de modo a ampliar a acessibilidade para as classes desprovidas de condições.
Igualmente, as recessões enfrentadas pelo país também contribuíram para a queda no hábito de leitura da população. Apesar da crescente alta da inflação e a queda no consumo geral prejudicarem todos os comércios, o mercado editorial foi amplamente prejudicado. Em conjunto com o péssimo cenário econômico, a chegada de multinacionais, como a Amazon, favoreceu ainda mais a fragilidade desse setor. De acordo com uma recente pesquisa da Datafolha, desde 2018, 21% das livrarias existentes no Sudeste foram fechadas, enquanto 38% das sebos também tiveram o mesmo destino. Assim, em decorrência desse processo, não só a população fica cada vez mais cerceada de opções de leitura, mas também diversos acervos culturais são fechados, situação esta que corrobora de maneira acentuada na decadência da cultura nacional. Dessa maneira, o Estado deve tomar medidas urgentes de modo a reverter esse quadro.
Em suma, fatores de matrizes exógenas não devem servir de limite para a obstrução da leitura no país. De modo a resolver a situação, é necessária a criação de um programa de auxílio creditício para empresas do ramo, por um projeto de lei criado pelo Senado Federal e sancionado pelo Presidente da República, por meio da alocação de 5% da verba oriundo do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços. A assistência financeira permitirá um menor custo dos livros no mercado, o que facilitará seu acesso para todas as classes