Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Indispensável para o desenvolvimento individual e coletivo, o hábito de leitura proporciona benefícios que vão desde uma ampliação da capacidade imaginativa e de concentração, até uma construção sólida de senso crítico e autonomia de pensamento, muito úteis na esfera política atual que lida com a veiculação de notícias falsas para manipulação das massas. Entretanto, no Brasil, a prática esbarra em desafiadores impasses econômicos e educacionais que impedem sua disseminação plena entre os brasileiros.

Nesse contexto, a dificuldade de acesso aos meios de leitura - como livros impressos e digitais - destaca-se como uma barreira econômica. Isso porque, há no Brasil uma grande desigualdade de renda, na qual parte da população custeia todas as suas necessidades básicas com pouco mais de um salário mínimo, atualizado para mil e cem reais em 2020. Sob esse aspecto, o custo proporcional para a aquisição de obras ou ferramentas para ler, como o Kindle, é muito alto e não condiz com a realidade brasileira. Além disso, esse mercado de livrarias está sob ameaça de inéditas taxações pelo atual governo, o que poderá aumentar em 1,2 vezes o preço dos produtos e torná-los menos acessíveis ainda, agravando toda a problemática. Ademais, o baixo incentivo à leitura das instituições educacionais corrobora com o reduzido número de leitores no país.

Acontece que, práticas como saraus e análises de textos não são obrigatórias na grande parte das escolas, sendo vistas como exercícios extracurriculares e dependendo de fatores como a disponibilidade de professores, horários extra disponíveis e salas adequadas, ou seja, não são prioridades na grade curricular estudantil. Dessa forma,o estímulo insuficiente reflete na estatística de que, em 2018, apenas 56% dos brasileiros possuem esse hábito no seu cotidiano, segundo pesquisa do Instituto Pró-Livro.

Fica evidente, portanto, que é necessário facilitar o acesso e retomar a valorização da leitura da sociedade brasileira. Para isso, o Ministério da Educação, por meio da criação de uma equipe técnica especializada, deve criar um programa de inclusão das práticas leitoras na grade curricular, além da matéria de portugês, e de distribuição de equipamentos de leitura digital, recorrendo a parcerias entre empresas privadas como a Amazon, a fim de garantir o estímulo adequado e a acessibilidade as obras, viabilizando, dessa forma, a democratização dessa fundamental prática intelectual.