Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 11/01/2021
O período Joanino, marcado pela vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, foi datado pela inauguração da Real Biblioteca, em 1810, que tinha como objetivo a preservação de obras raras e o estímulo à leitura no país. Nesse cenário cultural, sabe-se que tal incentivo literário é uma grande problemática na sociedade moderna, visto que grande parte da população não possui tal hábito. Desse modo, essa adversidade no que diz respeito aos desafios para a prática da leitura no Brasil é motivada, em especial, pelo alto grau de analfabetismo funcional e pela falta de incentivo a esse ato.
Vale destacar, em primeira análise, que de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aproximadamente 30% da população brasileira é analfabeta funcional, aqueles indivíduos que demonstram a não compreensão de textos simples. Nesse contexto, subentende-se que a interpretação é um dos pilares de maior dificuldade entre esse grupo e tal problemática é bastante recorrente a partir do ensino fundamental, visto que inúmeras crianças possuem essa dificuldade, todavia não procuram ajuda. Dessa maneira, tal complicação resulta na redução de oportunidades e de empregabilidade para quem enfrenta esse contratempo.
Sob outro ponto de vista, pode-se ressaltar a célebre frase: “A leitura engrandece a alma”, do filósofo iluminista frânces, Voltaire. Nesse viés, é evidente que o pensador traz à tona a análise como forma de enriquecimento pessoal, fato análogo ao propósito da Família Real, que almejava o estímulo à leitura e interpretação. Dessa maneira, é notório que tal proposta é, em partes, inviável no contexto atual do país, visto que grande parte dos cidadãos não possuem acesso à educação básica e, por conseguinte, não possuem a oportunidade de frequentar centros educacionais. Por fim, tais dificuldades ocasionam a inibição da criatividade e a formação de cidadãos críticos.
Em virtude dos fatos mencionados, faz-se necessário que medidas sejam executadas quanto aos desafios para a prática da leitura no território brasileiro. Nesse seguimento, é de responsabilidade do Executivo - como órgão que visa a solucionar entraves sociais - a criação de uma disciplina obrigatória de leitura e interpretação, a partir do ensino fundamental, que objetive a democratização do acesso à literatura de qualidade, por meio do auxílio de profissionais qualificados na área educacional, de modo a fornecerem um maior suporte aos cidadãos menos privilegiados, com aulas dinâmicas voltadas à cultura brasileira e ao letramento. Assim, tal proposta tem como finalidade adquirir um prazer literário no sujeito desde cedo, de modo a proporcionar maiores oportunidades socioeconômicas a esses, como demonstrado na chegada da Família Real Portuguesa, em que a abertura da Real Biblioteca impulsionou o desejo pela leitura no Brasil.