Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Na obra ficcional canadense ´´Anne With an E ´´, é retratada a história da jovem orfã Anne, que possui uma imensa imaginação e intelecto por ter o frequente hábito de ler. Fora da ficção, essa prática se mostra distante da realidade dos brasileiros, uma vez que o exercício leitura não é difundido no país. Esse cenário ocorre tanto em função dos altos impostos sobre os livros quanto em razão da falha na socialização do indivíduo. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação da leitura no Brasil.

Diante desse cenário, é importante destacar que os elevados preços das obras literárias representam um desafio à democratização e à ampliação da leitura no Brasil. Conforme a Constituição Federal de 1988, o acesso ao livro é um direito de todo brasileiro. Entretanto, essa máxima não se cumpre no contexto atual, posto que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os impostos sobre os romances no país são os maiores do mundo e, muitas vezes, impossibilitam que a população de baixa renda tenha acesso à literatura. Nessa perspectiva, o valor dos livros age como mecanismo de exclusão social e prejudica a universalização da leitura na nação.

Além disso, é válido ressaltar ainda que a família exerce papel fundamental na construção do hábito da leitura na sociedade. Sobre isso, o filósofo Émille Durkheim cunhou o conceito de socialização primária, no qual a instituição familiar atua como principal agente socializador do indivíduo. De tal maneira, os modelos de comportamento adquiridos na infância são interiorizados e tendem a ser levados para a vida adulta. Sob esse viés, pais que introduzem seus filhos à prática da leitura contribuem significativamente para a formação de uma sociedade que lê mais, dado que as crianças socializadas aos livros se tornam adultos leitores.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de se enfrentar os desafios para a prática da leitura no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação - no exercício de seu papel social- criar um programa que pode se chamar ‘’ler para todos’’, a fim de reduzir os impostos sobre as obras literárias e estimular as famílias a lerem para suas crianças. Além disso, deve-se desenvolver campanhas, por meio de comerciais televisivos, estimulando a doação de livros nas escolas para que elas possam distribuir os livros nas comunidades carentes. Talvez assim seja possível que a nação verde e amarela adquira cada vez mais o hábito de ler.