Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 12/01/2021

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De acordo com o artigo 27 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU), todo ser humano tem direito à cultura e suas vantagens. Atualmente, no entanto, esse benefício não é totalmente garantido no Brasil, uma vez que parte da população não pratica a leitura, em razão da desigualdade social e desgaste mental, por exemplo, negando o acesso à vida cultural que essa prática proporciona.

Em primeiro plano, é necessário destacar como o processo histórico formador de disparidades no Brasil afeta a capacidade de ler. Desde meados do século XVIII, quando se iniciou o Ciclo do Ouro na região de Minas Gerais, o principal eixo econômico brasileiro foi transferido do Nordeste para o Sudeste, concentrando nesse último a maioria dos movimentos financeiros e investimentos. Dessa maneira, o desenvolvimento social das macrorregiões também ocorreu de forma diferente, precarizando as condições dos estados nordestinos, por exemplo, e, consequentemente, tornando mais difícil a divulgação de materiais de leitura, devido ao baixo poder econômico apresentado na região.

Destaca-se também, nessa perspectiva, o cansaço mental dos indivíduos na atual sociedade, impedindo a plena realização da leitura. Segundo Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, vive-se no século atual a “Sociedade do Cansaço”, devido à constante busca por produtividade, exigida em diversos ambientes de trabalho, que desgasta mentalmente o indivíduo. Em razão disso, outras práticas de lazer que, em sua maioria, não apresentam nenhum benefício trabalhista aparente, como o ato de ler um livro ficcional, são negligenciadas pelo cidadão, que despreza momentos prazerosos de lazer.

Analisa-se que, no atual cenário brasileiro, os direitos não são plenamente garantidos, já que parte da população não pratica a leitura, por causas como a desigualdade social e o desgaste mental, por exemplo. Deve-se, através do Ministério da Educação - órgão responsável pela educação nacional - estimular a leitura grátis, por meio da doação de livros, voluntária ao povo, para domicílios carentes e divulgação da ação em canais midiáticos, superando condições econômicas desfavoráveis. Assim, será possível assegurar o cumprimento dos benefícios estipulados pela ONU e uma melhor formação crítica das futuras gerações.