Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 13/01/2021

No filme “A menina que roubava livros”, Liesel busca através da literatura refúgio perante o sofrimento vivenciado durante a Segunda Guerra Mundial. Por certo, a compreensão de textos permite aumentar os níveis de alfabetização, além da criação do senso crítico e o entretenimento dos leitores. Porém, essa prática no Brasil torna-se cada vez mais atrofiada, em virtude da desigualdade social e dos hábitos digitais. Dessa forma, a sociedade brasileira não usufrui dos benefícios da leitura, sendo necessário analisar os entraves para esse hábito, a fim de alcançar soluções efetivas.

Sobretudo, no contexto social do país, no qual parte da população sofre com a escassez de recursos básicos, a leitura é inviabilizada. Salienta-se que durante o século XVI, quando o Brasil era uma colônia de exploração, apenas a população nobre desfrutava da escolaridade e do acesso aos livros. Similarmente, o Brasil contemporâneo também exclui grande parte da sociedade da prática da leitura, já que os indivíduos mais pobres priorizam o suprimento das necessidades básicas, como a alimentação, em detrimento da aquisição de livros. Tal fato é evidenciado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), o qual afirma que 90% da classe alta possui mais de dez livros em casa, enquanto na população mais pobre essa quantidade corresponde à 42%. Logo, os indivíduos que possuem menos recursos econômicos têm pouco acesso à leitura.

Além disso, as tecnologias digitais distanciam o brasileiro do contato com os livros. A partir da Revolução Técnico-Científica-Informacional, houve maior rapidez no fluxo de informações no mundo, especialmente com o advento da internet. Entretanto, à medida que as plataformas virtuais ganhavam mais espaço no cotidiano da população, a preferência por textos mais curtos e ágeis tornou-se maior, como a literatura disponibilizada no site Homo Literatus. Simultaneamente, as pessoas perderam o interesse em ler textos mais longos e complexos, pois necessitam de mais tempo e atenção para a interpretação do conteúdo, que são situações inviáveis diante da dinâmica do fluxo informacional. Então a internet contribui para o distanciamento do hábito de ler.

Em suma, a desigualdade social e os hábitos virtuais são impasses para a leitura no Brasil. Portanto, é fundamental que o Governo Federal disponibilize incentivos fiscais para as empresas privadas que tenham postos de trabalho em regiões mais pobres do país, como no Norte e Nordeste, com o intuito de viabilizar maior geração de emprego e aumentar a renda da população, permitindo que as famílias também invistam na aquisição de livros, além dos gastos com as necessidades básicas. Ademais, é preciso que as escolas utilizem os recursos digitais na educação, através de atividades que necessitem de e-books, livros online, a fim de incentivar a leitura mais complexa mesmo no contexto virtual.