Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 13/01/2021
No filme “Central do Brasil”, Dora, interpretada pela atriz Fernanda Montenegro, é uma ex-professora amargurada que escreve para analfabetos como forma de sustento. Contudo, o longa mostra que essa mazela não fica restrita à região carioca. Fora das telas, a prática da leitura enfrenta nefastos desafios para concretização no território brasileiro. Nesse sentido, percebe-se não só a configuração de um grave problema, mas também convém ressaltar as causas que perpassam tanto o âmbito da imperícia estatal, quanto da cultura.
Nessa direção, é importante destacar, a priori, que a falha do Poder Executivo em assegurar os benefícios da leitura impacta diretamente na qualidade de vida dos cidadãos. Acerca disso, o Estado, como bem afirmou o economista britânico John Maynard Keynes, deve garantir o bem-estar social e - inclusive - o direito ao acesso à informação (como é previsto no Artigo 5° da Constituição). Entretanto, isso não se aplica ao atual cenário brasileiro, quer seja pelos poucos incentivos que propicie o hábito de ler, quer seja pelos altos preços dos livros à medida que são baixos os salários da classe subalterna e - por conseguinte - até mesmo a compra de um livro comprometeria no orçamento familiar.
Ademais, a cultura da não leitura contribui para a perpetuação da problemática. Prova disso, de acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, o indivíduo tende a reproduzir modos pré-estabelecidos na sociedade como forma de integração. No entanto, a prática de não ler quase “nada” está intrinsecamente ligada às raizes da formação brasileira, uma vez que a televisão é valorizada em detrimento do livro, além do precário tempo dedicado pelos pais ao ensino das crianças. Logo, é preciso ação da comunidade para que ocorra a quebra desses péssimos hábitos dos quais têm sidos passados de geração em geração.
Infere-se, portanto, que providências sejam tomadas para atenuar aos estigmas deixados pela falta de leitura no Brasil. Dessa forma, compete à Federação, em parceiria com a iniciativa privada, criar o projeto “Ler é Vida”, por meio da destinação de verbas públicas para compra de livros e criação de bibliotecas populares. Para mais, essas iniciativas terão os objetivos de promover a leitura e, com efeito, a formação educacional eficiente da população e modificar a prejudicial cultura hodierna. Assim, será possível não apenas fazer jús às teorias Keynesianas, bem como, gradativamente, ratificar uma cidadania legítima e plural para crianças como o “Josué” da “Central do Brasil”.