Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 13/01/2021

A Constituição brasileira de 1988, também conhecida como Constituição Cidadã, compromete-se com a cultura e educação nacional. Entretanto, tal garantia é deturpada, visto que há desafios inerentes à prática da leitura no Brasil. Esse trágico cenário ocorre não só pela má conciliação entre escola e famí-lia durante a formação literária do aluno, mas principalmente devido a situação nefasta do analfabetismo no país. Diante disso, faz-se necessária a análise dessa conjuntura com o intuito de mitigar esses entraves que são, no mínimo, destoantes constitucionalmente.

Em primeira análise, é válido ressaltar a existência de uma cultura do corpo social que persiste em acreditar que o dever de ensinar a ler é somente da escola. No entanto, tendo em vista que, na maioria das vezes, o maior contato da criança com textos, sejam verbais ou não, é em casa mediante a própria interação da família, é justo que esse agente não só participe desse processo, mas que também atue no desenvolvimento do hábito da leitura. Sob essa ótica, Anthony Giddens, professor e sociólogo contemporâneo, relata que o indivíduo é influenciado pelas estruturas do cotidiano. Sendo assim, é evidente que a junção entre a pedagogia e o âmbito familiar pode configurar uma eficiente maneira de incentivar, a longo prazo, essa prática.

Ademais, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que 12% da população brasileira não é letrada e 25% encaixa-se no grupo dos analfabetos funcionais, ou seja, pessoas que não conseguem interpretar textos e realizar cálculos simples de matemática. Nesse sentido, é possível afirmar que se há uma grande taxa de pessoas não alfabetizadas e com di-ficuldades interpretativas no país, é utópico acreditar que o cidadão terá acesso à leitura de maneira igualitária. Dessa forma, é indubitável a urgência do letramento de maneira democrática, pois, se existem pessoas que não são aptas ou até mesmo incapazes de ler, é impossível efetivar  a constância desse costume na sociedade.

Depreende-se, portanto a relevância de se discutir sobre a questão da leitura no país. Dessarte, urge ação do Governo. Assim sendo, o Ministério da Educação deve, mediante a grade curricular das escolas públicas, elaborar pelo menos um dia da semana para aulas de literatura básica voltada aos pais e alunos com o fito de não apenas apresentar as obras para ambos, mas também para que os professores possam ensinar os responsáveis do aluno a inserir o filho no mundo dos livros de maneira didática corroborando para que a formação literária comece na escola, mas continue em casa. Assim sendo, de certa forma, o Estado estará atuando conforme o que foi previsto em 1988 pela Constituição Cidadã.