Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Em 1808, com a chegada da Família Real no país, instaurou-se, em território nacional, a Biblioteca Real, com o objetivo e difundir o hábito de ler entre os brasileiros. No contexto contemporâneo, nota-se que, apesar de tal acontecimento, o estímulo ao hábito da leitura ainda encontra desafios no país. Assim, é lícito afirmar que a postura governamental e o analfabetismo funcional contribuem para esse cenário.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para fomentar a prática da leitura no Brasil. Uma das condições para encorajar esse hábito, é assegurar o acesso a livros. Entretanto, de acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Pró-livro, apenas 36% das escolas possuem biblioteca, mesmo havendo a lei da Universalização das Bibliotecas, a qual determina que todas as instituições de ensino devem dispor de um espaço para leitura. Portanto, é certo que o Estado não está fornecendo os recursos básicos para a promoção da leitura, e, dessa forma, negligenciando esse direito dos indivíduos.
Além disso, para criação do hábito de leitura, o indivíduo deve saber ler bem e avaliar as informações de um texto, o que não é uma realidade para analfabetos funcionais. Dados do Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF) indicam que 32% da população que está no Ensino Médio se enquadra nesta condição. Ou seja, quase um terço dos alunos é incapaz de localizar, integrar, elaborar e avaliar informações, o que impossibilita a realização de leituras. Esse déficit do letramento é reflexo da educação precária do Brasil, a qual, entre outros problemas, carece de educadores preparados para formação de leitores.
Em vista disso, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para melhorar o acesso da população brasileira a livros, o Ministério da Educação deve investir na estruturação de bibliotecas com livros de temáticas variadas e de boa qualidade, com vistas despertar o interesse dos discentes e impulsionar o número de leitores. Ademais, Cabe ao Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, destinar maiores recursos para o setor da Educação, de forma a reduzir os índices de analfabetos funcionais. Isso pode ocorrer, a começar, pela capacitação de professores, por meio de cursos e seminários periódicos que abordem técnicas eficientes de alfabetização. Só assim, o projeto começado pela Corte Portuguesa no início do século XIX, poderá ser concretizado.