Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Durante o Governo Sarney, o Brasil foi dotado de benesses de forma imensurável. Sabe-se que um dos benefícios concedidos diz respeito ao direito à educação, assegurado pela Constituição de 1988, o qual explicita políticas que visam o incentivo ao desenvolvimento pessoal, bem como uma garantia da dignidade humana. Todavia, tal mecanismo legal apresenta-se ineficaz, visto que há desafios para a prática da leitura no Brasil, seja pela falta de empenho do governo, seja pelo descuido da sociedade civil.

A princípio, analisa-se a canção: “Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”. Esse trecho da música “Que País é Este?”, Da Banda Legião Urbana, deixa explícito o nítido descaso em relação aos deveres e direitos, já que o governo não investe nas necessidades públicas. Exemplo disso é a situação calamitosa de parcela das cidades, as quais não possuem bibliotecas coletivas que estimulam o desenvolvimento da leitura, o que pode gerar o analfabetismo funcional. Em consequência, nota-se a privação da autonomia humana de usufruir de seus direitos - acesso à educação-, uma vez que os direitos constitucionais não têm ocorrido na prática.

Outrossim, à luz do Sociólogo Pierre Bourdieu, o indivíduo, ao ser inserido em um meio, internaliza as ações, naturaliza-as, torna-as um hábito e passa a perpetuá-las. Tal panorama, comprova que a internalização de comportamentos nocivos é, em geral, consequência da sociedade civil em, por exemplo, demonstrar indiferença à capacitação dos professores, posto que estes são desvalorizados e, no entanto, não recebem apoio para trabalhar a literatura em sala de aula. Assim, o problema precisa ser interrompido para que o indivíduo perpetue bons hábitos e não prejudique sua ascensão social.

Ao governo, portanto, cabe a função de destinar parte do Produto Interno Bruto aos órgãos de educação. Essa ação ocorrerá mediante o direcionamento dessa verba às campanhas socioeducativas - por intermédio de profissionais da educação -, cujo propósito será implementar espaços bibliotecários nos centros urbanos, além de despertar a criticidade social acerca da relevância da formação do educador. Isso terá o intuito de remediar o elucidado por Bourdieu e pela banda Legião Urbana para a plena fluidez da Constituição de 1988.