Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/01/2021

O filme “A sociedade dos poetas mortos”, dirigido por Peter Weir, traz como enredo a entrada de um professor em uma escola tradicional, que com métodos de ensino inovadores, inspira seus alunos a olharem a literatura e as palavras de forma diferente. Nesse contexto, os alunos sentem-se estimulados à leitura, visto que há o encorajamento, o exemplo e a criativadade nas aulas. Entretanto, a falta de incentivos das escolas aliado ao elevado preço dos livros desestimula essa prática.

A priori, é imperativo pontuar que segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (INEP), cerca de 55% das escolas não possuem bibliotecas ou salas de leitura. Além disso, os alunos veem essa prática imposta pelos professores como “massacrante”, pelo fato de que eles não conseguem transmitir o prazer pela leitura. Nesse sentido, uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-leitor, constatou que dos 1.680 professores entrevistados, 25% não gostam ou não têm o hábito de ler. Assim, é notório o porquê dos dicentes terem desprazer diante do processo de desenvolvimento da leitura.

Outrossim, a proposta do Ministério da Economia de taxar os livros em 12% pode causar impactos no acesso às obras literarias, visto que já é elevado o preço dos mesmos comparado à renda dos brasileiros. Dessa forma, as pessoas que já são excluídas por situação de vulnerabilidade, terão ainda mais dificuldades em fazer parte da população leitora. Além de que, segundo o levantamento do Instituto Pró-livro (IPL), cerca de vinte e sete milhões dos consumidores são das classes C, D e E. Desse modo, caso seja aprovada essa proposta, será reduzido o número de leitores.

Portanto, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter essa situação. O Ministério da Educação deve propor a criação de um plano “carteira do leitor” por meio de um projeto de lei entregue à Câmera dos Deputados. Tal plano será disponibilizado às crianças e jovens que a requisitarem e comprovarem possuir uma renda igual ou inferior a dois salários mínimos, e servirá para garantir ao portador um desconto de 55% nas livrarias. Ademais, o Estado deve investir na educação ampliando verbas e, por intermédio dos Governos Estaduais, construir bibliotecas nas escolas do interior. Para mais, promover campanhas voltadas para professores por meio de redes socias como Instragram e Facebook, com o objetivo de incentivar o hábito de ler. Espera-se, com essa ação, a diminuição dos desafios para a prática da leitura no Brasil.