Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 15/01/2021

No livro “O Nome da Rosa”, do escritor Umberto Eco, é retratado a censura dos livros às camadas populares e sua disponibilização para a elite durante a Idade Média. Nesse contexto, apesar de se tratar de uma ficção, a obra retrata a realidade do século XXI, uma vez que a prática da leitura permanece restringida apenas para uma parcela da sociedade, a classe alta, evidenciando dessa forma os desafios para o desenvolvimento dessa prática no Brasil. Deste modo, questões como as a elitização da leitura e o sucateamento das bibliotecas devem ser postas em vigor a fim de serem combatidas.

É relevante abordar, primeiramente, que durante a Idade Média, período histórico do século V ao século XV, observa-se a prática de restrição dos livros às classes sociais mais baixas. Nesse sentido, apesar de serem datados seis séculos atrás, na contemporaneidade é notório a adoção de medidas que promovem a dificultação ao acesso de exemplares, evidenciando dessa forma o aumento dos preços de tais obras tornando-as acessíveis apenas às pessoas que possuem um certo poder aquisitivo. Sendo assim, práticas como o aumento tributário de 20%, segundo o Instituto Pró-Livro, dificultam a democratização da leitura, uma vez que as instituições públicas, como as bibliotecas municipais, são vítimas do sucateamento do governo.

Concomitantemente a isso, vale ressaltar que no limiar do século XIX, com a chegada de Dom João VI no Brasil é inaugurado a primeira biblioteca no território brasileiro, com a finalidade de desenvolver a leitura no país. No entanto, dois séculos se passaram e tal objetivo não foi concretizada, tendo em vista que a falta dessas instituições em inúmeros munícipios e a escassez da assessibilidade, dos acervos, a péssima infraestrutura, entre outros, alertam o sucateamento dessas instituições no país. Segundo o levantamento do G1, de 2014, no Brasil existem certa de uma biblioteca para 33 mil pessoas, o que evidencia o sucateamento desses locais no país e sua problemática na promoção da prática da leitura daqueles que não possuem poder aquisitivo para fazer a compra dessas obras.

Evidencia-se, portanto, que devido o processo de elitização e a precariedade das bibliotecas promovem uma dificultação na democratização da leitura. Portanto, cabe ao Ministério da Educação- responsável pela administração e manutenção desse setor no país-, promover a redução dos preços  das obras por meio da diminuição dos impostos sobre esses produtos e investir em reformas nessas instituições produzindo um melhor acervo, garantindo uma maior acessibilidade, melhorando a infraestura das mesmas, entre outros, para que assim seja possível uma democratização de acesso à leitura. Somente assim será possivel que o livro “O Nome da Rosa” retrate apenas a Idade Média e não a contemporaneidade brasileira.