Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 15/01/2021
No período da Idade Média, havia a presença de feudos -grandes lotes de terra- que separavam parte da população, detentora de capital e privilégios, da expressiva parte privada de acesso à condições monetárias e sociais, bens e cultura. De forma análoga, o hodierno brasileiro encontra-se “feudalizado” no que tange ao acesso de livros e condições apropriadas de leitura, visto que há grande disparidade social e econônica entre cidadãos, e, além disso, a falta de incentivo e verbas governamentais destinadas a esta área.
Convém ressaltar, a princípio, que as desigualdades socioculturais são um fator expressivo para a diminuição do contingente de leitores no Brasil. O sociólogo Karl Marx afirmava que o sistema economico vigente na sociedade dita suas normas, ideologias e relações de poder. Dessarte, o capitalismo não proporciona oportunidades de ascensão social, permanecendo com o acúmulo de capital entre os ricos e a falta deste para os de menos poder aquisitivo; contudo, tal capital é primordial para a compra de livros e aparelhos de leitura, normalmente caros. Além disso, como agravante, o foco das pessoas de baixa renda não é a busca pela leitura, mas sim garantir meios de sobrevivência, alimentação e saúde. É notório, portanto, as diferentes realidades sociais e oportunidades de acesso.
Ademais, é explícito a falta de incentivo e verbas do Estado para o incentivo à leitura. Outorgada em 1988, a Constituição Federal brasileira garante acesso igualitário a meios de educação, cultura e qualidade de vida em si. Todavia, é notável que tais garantias não são efetivadas pela máquina estatal, tendo em vista a falta de investimento em materiais de leitura nas escolas e bibliotecas nacionais, atenuando as oportunidades de leitura e diminuindo, ainda mais, as já escassas chances de acesso à livros. À luz dessa perspectiva, fazem-se necessárias mudanças e melhorias nessa estrutura social.
Logo, a fim de que a leitura seja incentivada e a “feudalização” extinguida, urge ao Estado, representado pelo Ministério da Educação, a reforma e construção de bibliotecas em centros urbanos e rurais, além de areas de leitura nas escolas, por meio do financiamento de políticas públicas, com a finalidade de propiciar o acesso à leitura desde criança. Outrossim, é mister que os veículos midiáticos disseminem notícias, e horário nobre, de encontros de leitura para adultos e jovens, a fim de que todas as faixas etárias tenham incentivos, de modo que toda a família leia junta e o processo se torne mais agradável e prazeroso. Assim, o número de leitores e entusiastas aumentará gradativamente e de forma significativa.