Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 17/01/2021
A princípio, de acordo com a Constituição federal, promulgada em 1988, em seu artigo 215, todos os cidadãos brasileiros têm o direito à cultura, incluindo, entre os parâmetros culturais, os livros. No entanto, no Brasil hodierno, mesmo que essa lei prevaleça e esteja difundida pelo país, ainda há desafios para a prática da leitura no território brasileiro. Isso se deve a fatores, principalmente, de ordem econômica e social.
Em primeiro lugar, é relevante abordar que a baixa decodificação de textos é um legado arcaico deixado pelos portugueses. Assim, no Brasil Colônia, que perdurou até o século XIX, seguiu um formato de segregação educacional baseado na renda econômica, ou seja, apenas os mais abastados tinham acesso à leitura. Tal fato ainda prevalece na sociedade - mesmo depois de dois séculos - como representado pelo projeto do Ministério da Economia (ME) que pretendia aumentar o livro em 20%, o que iria deturpar a conhecença entre as camadas mais vulneráveis. Desse modo, fica visível que a Constituição Cidadã sobreleva uma democratização cultural, mas há o desafio econômico que impossibilita tal ato.
Paralelo a isso, segundo o determinismo de Hipólito Adolphe Taine, historiador, o homem é fruto do meio que está inserido. Nesse prisma, diante de um Estado que não estimula a leitura - um ato que afeta os direitos sociais - os integrantes da sociedade são destinados a viver na alienação, subordinados às classes que têm acesso à sapiência. Por conseguinte, refutando o educador, Paulo Freire, em seu livro “Pedagogia e Autonomia”, quando cita que “ninguém é sujeito da autonomia de ninguém”. Com efeito, colocando o Brasil à margem do desenvolvimento da leitura do corpo social, por questões sociais.
Depreende-se, portanto, a relevância de amenizar o imbróglio, seguindo o pensamento de Karl Marx, filósofo, quando diz que não basta pensar, é necessário agir. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação (MEC), em parceria com os municípios, deve corrigir a problemática econômica e social, por meio da disponibilização de bibliotecas móveis, para que circulem todos os bairros das cidades, apresentando livros clássicos e atuais, e confirmando tal prática via leis municipais. Espera-se, com isso, a isonomia da população, tendo o efeito, a médio e longo prazo, no Brasil.