Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 18/02/2021

Em um de seus poemas, o escritor, Carlos Drummond de Andrade cita: “no meio do caminho tinha uma pedra”, frase que metaforiza os desafios para uma convivência excepcional dos cidadãos. Nesse sentido, tal proposição se enquadra na contemporaneidade, uma vez que a ausência da leitura no Brasil é uma problématica a ser superada, atuando como barreira para o que o economista sueco Gunnar Myrdal define como “Welfare State”, isto é: Estado de bem-estar social. Dessa forma, faz-se necessário debater a influência da pós-modernidade e do Governo sobre esse cenário, assim como propor ações governamentais para solucioná-lo.

Nessas circunstâncias, constata-se a priori, que a sociedade brasileira é parte responsável pelo panorama supracitado. De fato, o sociólago austro-americano Peter Ludwig Berger, em sua obra “A Construção Social da Realidade”, define a socialização como processo através do qual indivíduos assimilam hábitos e valores característicos dos grupos aos quais estão inseridos. Posto isso, percebe- -se que a apatia em relação a leitura enraizada na sociedade brasileira nada mais é que o produto da soberania da consciência coletiva, de caráter coercitivo, sobre a individual ao longo da transmissão histórica dos traços socioculturais nacionais. A consequência disso é a perpetuação de uma cultura negligente e aversiva à leitura, fato que evidencia a gravidade desse cenário.

Diante dessa perspectiva, considera-se, em segunda análise, que, além da sociedade, o próprio Governo corrobora a acentuação dessa problemática. Com efeito, o filósofo Aristóteles, em “Ética a Nicômaco”, defende que a finalidade da política é garantir o bem-estar dos cidadãos. Dito isso, nota-se que a atua conjuntura socipolítica nacional destoa do pensamento aristotélico, pois a ausência de ímpeto governamental em fomentar políticas públicas voltadas para o incetivo à leitura impede um aumento de leitores e a propagação dessa prática. O produto disso é o crescimento de leitores analfabetos, realidade potencializada pela ineficiência das escolas em criar novos leitores.

É incontestável, portanto, a necessidade de instigar ações que alterem esse cenário. Sendo assim, é preciso que o Ministério da Educação, reponsável pela formulação de políticas de cunho educativo no âmbito nacional, elabore projetos socieducativos voltados para o esclarescimento da importância da leitura em todas as idades. Tais medidas devem vigorar por meio de palestras e seminários, principalmente em escolas de nível fundamental e médio, com a finalidade de promover consciência social nas crianças e adolescentes. Espera-se, dessa maneira transpor os obstáculos para prática da leitura no Brasil e, por conseguinte, “remover do caminho uma das pedras” que impedem o pleno exercício do Estado de bem-estar social proposto por Myrdal.