Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 29/06/2021

O livro “1984”, de George Orwell, alude à sociedade a qual o jovem Winston se encontra, em que os hábitos de leitura e escrita são proibidos pelo Grande Irmão, a fim de perpetuar os ditames criados para a manutenção do poder do partido. Dessarte, assim como o contexto vivenciado pelo protagonista da obra, muitos brasileiros enfrentam desafios no tocante à prática da leitura. Diante desse contexto,  é imprescindível analisar o papel dos professores para a instigação dos estudantes, bem como a influência da família, com o intuito de elaborar meios que,  de fato, solucionem esse entrave.

Com efeito, é evidente que a educação é ferramenta basilar para que o costume da leitura seja disseminado. Dessa forma, observa-se que um obstáculo para que o aspecto supracitado seja comum no Brasil é que os professores, em sua maioria, acabam por sugerir livros de linguagem rebuscada aos estudantes e que não os estimula, o que acaba por desmotivar muitos dos que não tiveram contato com tal atividade anteriormente. Sob esse viés, partindo da a obra cinematográfica “Sociedade dos Poetas Mortos”, a qual evidencia a forma que o professor Jonh Keating trata a literatura e a arte - como uma forma de emancipação e construção de um pensamento crítico e autônomo - e consegue fazer com que seus alunos se interessem por essas disciplinas, percebe-se que o educador é agente mentor na escolha e forma de enxergar a leitura por parte dos alunos.

Outrossim, a família possui papel fundamental no que diz respeito à prática pautada. Nesse sentido, ao tomar como base a música “Como nossos pais”, da cantora Elis Regina, no trecho “Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”, é notório que, assim como aludido pela autora, a população brasileira se abstém em ler porque não têm esse costume naturalizado cotidianamente, por intermédio da influência parental. Isso ocorre devido ao pensamento recorrente de que as instituições de ensino são as únicas responsáveis em educar os indivíduos, o que faz com que os pais não se atentem à prática conjunta da leitura, reverberando-se em um ciclo que perpetua a ausência desse exercício no núcleo familiar. Prova disso, é que segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita pelo instituto Pró Livro, de fato há uma ligação entre a formação de novos leitores e o hábito de seus pais.

Portanto, urge que medidas sejam implementadas para resolver a problemática. Sendo assim, compete ao Ministério da Educação promover simpósios propagados por meios midiáticos, como internet - Salas Virtuais - e televisão, e redigidos por psicopedagogos e educadores, a fim de instruir os professores acerca de quais livros devem ser indicados - levando em conta que nem todos os alunos possuem o hábito -, bem como os pais, para que esses reservem um tempo para a leitura conjunta. Almeja-se, com tal medida, que o cenário brasileiro não seja análogo ao vivenciado por Winston.