Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 22/03/2021
No livro Fahrenheit 451 do escritor Ray Bradbury, o autor imerge a obra em um mundo distópico no qual livros são queimados por representarem uma ameaça ao meio social, provocando questionamentos e instabilidade no sistema vigente. Paralelamente, a realidade da narrativa apresentada pode ser relacionada àquela do século XXI: em que a prática da leitura é desafiada pela deficiência na literacia, deturpando o desenvolvimento do senso crítico social. Todavia, a tentativa do distanciamento dessa realidade pelo coletivo, reflete a necessidade da criação de políticas públicas pra solucionar essa adversidade.
Mormente, a leitura desempenha um papel imprescindível na formação do conhecimento e absorção da cultura, adquirindo caráter lúdico e também de entretenimento. Entretanto, a situação é pouco observada na sociedade brasileira, uma vez que o hábito da leitura, como forma de expandir a construção dos saberes, encontra-se pouco ampliado. Esse panorama lamentável ocorre porque a maioria das escolas interessa-se apenas pela transmissão de conteúdos técnicos, negligenciando o estímulo as habilidades socioculturais.
Outrossim, a ausência da leitura causa reflexos na vida adulta, gerando leitores analfabetos desprovidos da habilidade de interpretação, visto que, sem a leitura plena a educação segue fragilizada. Consoante a teoria da tábula rasa de John Locke, o ser humano é como uma tela em branco preenchida por experiências e influências, inferindo-se, de forma análoga, a importância da leitura na formação do senso crítico e da individualidade. Não obstante, a aplicação de mais impostos sobre os livros corroboram a fragilização do setor e diminuição das vendas, tornando os livros e a transmissão de conhecimentos pouco acessíveis para população.
Destarte, é mister a mobilização do Estado na tomada de providências para amenizar o quadro atual. Para a ampliação da prática de leitura no Brasil, urge que o Ministério da Educação implemente, por meio de investimentos estatais, um programa de incentivo literário nas instituições de ensino disponibilizando mais livros e bibliotecas gratuitos. Ademais, o projeto deve fomentar a participação familiar, por intermédio de palestras e debates envolvendo alunos e responsáveis, com objetivo de solidificar o hábito literário em todos os âmbitos do desenvolvimento individual. Somente assim será possível a formação de uma sociedade leitora e crítica, rompendo com a distopia criada por Bradbury.