Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 25/03/2021
Após o surgimento da Igreja Protestante, criada por Martin Lutero, ocorreu o aumento exponencial de leitores na Europa, com a finalidade de que os fiéis pudessem interpretar independentemente seus livros sagrados. Consequentemente, tal religião começou a disseminação do ideal de democratização da leitura em todo o mundo, desencadeando impactos que são vivenciados nos tempos atuais. Em contrapartida, no Brasil, tal panorama de progresso não se instalou isento de desafios, tendo em vista que a população brasileira não desfruta dos benefícios dessa prática. Dessa forma, torna-se imprescindível explicitar o impulsionador e a consequência dessa crise: a precariedade educacional e a alienação da população analfabeta gerada.
Diante desse cenário, cabe frisar que a falta de estrutura para a plena escolaridade dos cidadãos é um sustentáculo central da ausência do ato de ler. Nesse sentido, esse cenário pode ser explicado pela interdependência entre essa tarefa e o conhecimento da linguagem empregada pelo texto que se pretende ler. Isso acontece porque, de acordo com o ramo da Língua Portuguesa, o tal precisa utilizar mecanismos linguísticos como: construções sintáticas, acentuação e pontuação. Destarte, os indivíduos com baixa ou nenhuma escolarização, por desconhecerem esses conteúdos, não conseguem ter êxito no entendimento de obras literárias. Assim, o descaso com a condição escolar prejudica diretamente a capacidade folheativa humana nacional.
Por conseguinte, ao não possuir as ferramentas necessárias para auto-informação, o corpo social nacional torna-se suscetível à manipulação daqueles que detém conhecimento. Nesse viés, pode-se analisar o cenário do filme Matilda, na qual uma jovem é constantemente humilhada por sua família adotiva e convencida de que tal constrangimento era válido. No entanto, quando a menina desperta interesse pela literatura, começa a reter aprendizado necessário para saber seus direitos como criança adotada e reivindicar tratamento digno. Percebe-se, então, que os livros tem o poder de esclarecimento para quem os aproveita, uma vez que fornece olhar crítico perante as situações cotidianas e consciência suficiente para impedir dominação dos que deles usufruir. Assim, o costume de busca pelo saber beneficia a manutenção de um povo consciente.
Depreende-se, portanto, a urgência de medidas para resolução da problemática. É mister que o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, decrete a fiscalização da qualidade do ensinamento literário nas escolas de rede pública e da periferia, por serem, majoritariamente, mais danificadas pelo descaso público. Ademais, deverão incentivar a ida à bibliotecas para que, assim como Matilda, os habitantes brasileiros não possam ser enganados.