Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 25/03/2021
Segundo Paulo Freire “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Tal reflexão traz más perspectivas para o Brasil, pois de acordo com o Indicador de Analfabetismo Funcional do Instituto Paulo Montenegro, as taxas de baixa proficiência em leitura entre jovens e adultos são de 29% , indicativo de que há lacunas na formação educacional e literária no país, sendo potentes modeladores destas estatísticas a falta de estímulo à leitura na escola e a facilidade de acesso e consumo de outras formas de entretenimento, como as redes sociais.
Visto que o estímulo à leitura é, em partes, responsabilidade dos centros de ensino, é preciso salientar que tais índices são representados, majoritariamente, pelas minorias sociais e econômicas, devido à falta de oportunidades e acesso à educação de qualidade, pouco disponíveis em escolas públicas e periféricas. Em outro plano, o ensino de modelo coletivo atual torna um desafio trabalhar obras literárias que se adéquem ao nível de leitura de cada pupilo individualmente, gerando assim atritos e desinteresse por parte dos estudantes menos avantajados no hábito de ler.
Não é preciso garimpar em obras clássicas para se encontrar conceitos cautelosamente tecidos com o objetivo de levar o leitor à reflexão de seus próprios conceitos e a melhor entender o mundo que o cerca. Divergindo destes veículos emancipatórios, as redes sociais se popularizam e expandem cada vez mais, século XXI adentro. Afirmava o filósofo Polonês Zygmunt Bauman que “o que se consome, o que se compra, são apenas sedativos morais que tranquilizam seus escrúpulos éticos”, descrevendo o caráter passivo do entretenimento que possui como fim último a satisfação imediata e o oferecido nas mídias sociais. Por ser mais fácil, prático e conveniente de consumir, os livros perdem seu espaço na era digital, mesmo que com ela o acesso aos volumes se torne mais facilitado devido ao número de obras digitalizadas e e-books disponíveis.
Portanto, para enfim construir uma nação leitora formada por gerações críticas e letradas, é necessário que antes haja longos esforços do Ministério da Educação para o incentivo à leitura nas escolas juntamente com um repertório variado e adaptável ao nível de leitura dos estudantes, além de campanhas ao uso moderado das redes sociais e reflexão acerca do tipo de conteúdo se consome, sua relação com o ambiente e a visão de mundo que propõe, para que a sociedade possa, então, encontrar maneiras de modificar a si mesma.