Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 06/04/2021

Na obra “Fahrenheit 451”, somos apresentados a um universo distópico onde a prática de leitura é proibida e os livros são incediados pelo Estado. Fora da ficção, o Brasil também sofre com o desestímulo literário, sendo este agravado por fatores sociais e econômicos. Como resultado, uma grande parcela da sociedade trilha um perigoso caminho de ignorância e alienação.

A priori, é possível constatarmos a relação entre tal problemática e as disparidades socioeconômicas existentes na nação. Devido a má gestão do governo, o Brasil encontra-se com cerca de 40% da renda nacional concentrada nas mãos de 10% dos mais ricos - segundo dados da ONU. Somadas a isso, há, inclusive, propostas políticas as quais visam dificultar o acesso a livros, vide a PL 3.887/2020 que, caso aprovada, taxará sobre 20% o preço desses produtos. Dessa maneira, a prática literária acaba, muitas vezes, restringindo-se aqueles com maior poder aquisitivo. Cria-se, então, na mente da população menos privilegiada a ideia de que aderir a esse costume é algo distante da sua realidade, por não poderem arcar com seus custos.

Consequentemente, os efeitos do desestímulo literário são cada vez mais latentes. De acordo com dados do Instituto Pró-Livro, 44% dos brasileiros não leem e 30% nunca, sequer, comprou um livro. Por não estar acostumada a ler, essa vasta fração de indivíduos não desenvolve de modo adequado a capacidade de interpretar e questionar as informaçãos com as quais se deparam. É o caso, por exemplo, de cidadãos que compartilham as chamadas “fake news”. Além de não saberem criticar se uma notícia possui ou não fundamento, eles tornam-se menos aptos a decifrar a verdadeira mensagem por de trás dela, tendendo, com isso, a distorcê-la e contribuir para o aumento da desinformação.

Portanto, medidas são necessárias para combater esse impasse. No intuito de tornar a prática literária mais acessível, o governo, por meio de políticas de taxação de forturnas concentradas, deve redistribuir melhor a receita nacional. Com esse repasse, o Ministério da Cultura deve criar uma carteira de “Leitura Popular”. Tal artifício será disponibilizado aos cidadãos que comprovem ter  uma renda igual ou menor a dois salários mínimos, e garantirá ao seu portador um desconto de metade do preço na compra de qualquer livro. Espera-se, com essa ação, um aumento no estímulo à leitura no Brasil, de modo a fazer com que seus habitantes sejam devidamente informados sobre aquilo que os cercam e desenvolvam um alto senso crítico.