Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 30/03/2021

No filme “Matilda”, é narrada a história de uma jovem que, por ser adotada, sofre com humilhações recorrentes feitas por seus pais. No entanto, ainda que diante à dificuldades, Matilda consegue transformar sua realidade e exigir seus direitos após começar a frequentar a biblioteca e adquirir o hábito da leitura. Em contrapartida, a realidade brasileira não se assemelha à ficção, visto que a população não desfruta plenamente dos benefícios do ato folheativo, como feito pela personagem. Desse modo, torna-se imprescindível explicitar os principais impulsionadores dessa crise: o vício gerado pelos aparelhos tecnológicos e a falta de estímulo educativo para o ato em pauta.

Diante desse cenário, é lícito postular que a dependência de celulares e computadores móveis é um sustentáculo central da carência do ato de ler no Brasil. Nesse sentido, cabe frisar que, de acordo com o livro “Manual da Psiquiatria Clínica”, o sistema cognitivo do ser humano é facilmente manipulado diante da presença de estímulos fortes, como a luz e a agilidade oferecidas por instrumentos da tecnlogia. Por conseguinte, a ausência dessas funções em qualquer outra atividade torna a tal indesejada pelo cérebro, que, viciado, procura sempre pela estimulação vivenciada com os dispositivos supracitados. Assim, já que obras literárias não são capazes de oferecer o entretenimento estimulante da internet, o público apresenta falta de desejo por elas e as tratam com descaso. Logo, percebe-se que o uso exacerbado das redes de informação atuais prejudica diretamente a procura pelos livros.

Além disso, pode-se inferir que a carência  no setor educacional no que tange o incentivo ao interesse pela literatura agrava a situação dos brasileiros como bons leitores. Sob tal ótica, é possível lembrar que a Constituição Federal de 1988 decreta que o governo deve fornecer educação de qualidade a seus alunos, por exemplo, promovendo o contato dos mesmos com o mundo literário. Paralelamente, percebe-se que o mesmo não acontece, tendo em vista que não são priorizadas ações que promoveriam esse olhar atrativo pela literatura, como oferecer aos estudantes livros com assuntos desejados pelo público infantil. Então, pode-se esperar, como consequência da falha escolar, o descaso com esses objetos educativos por parte desses futuros cidadãos.

Depreende-se, portanto, a urgência de medidas para resolução da problemática. É mister que o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, decrete o oferecimento de palestras nas escolas para os pais do corpo estudantil acerca dos perigos no uso ineterrupto de mecanismos digitais, além da obrigatoriedade de organização de passeios para bibliotecas e do oferecimento de uma seção livrária com obras selecionadas para esses leitores. Assim, prever-se-á a melhora na prática da leitura no território nacional.