Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 06/04/2021
No romance “Fahrenheit 451”, escrito por Ray Bradbury, elucida-se uma distópica realidade na qual a função dos bombeiros, ironicamente, é atear fogo em livros proibidos pelo Estado autoritário, mostrando nas estrelinhas o impacto intelectual que a leitura traz com informações que podem custar reivindicações de direitos humanos básicos. Não obstante de ser uma distopia, o enredo do romance carrega traços da realidade hodierna, na qual enfrenta desafios para a prática da leitura no Brasil em razão do aumento tributário em livros e do analfabetismo adulto.
Em primeira análise, é evidente que um dos principais motivos da crescente ausência de leitura é o alto custo em livros, privando boa parte dos jovens brasileiros de uma leitura assertiva. Segundo dados na CNC, houve uma brusca queda de 29% na aquisição de livros paradidáticos devido o aumento tributário, porcentagem essa que aumenta, gradativamente, enquanto os índices de público leitor diminui. Nesse contexto, a leitura se torna elitista e exclusa para a camada mais periférica dos centros brasileiros, retrocedendo, assim, anos de evolução na desigualdade econômica e social do país.
Ademais, é importante pontuar que o analfabetismo adulto também influencia na ausência da demanda por leituras desde a infância de seus descendentes. Consoante pesquisas da Pnad, cerca de 11 milhões de adultos não sabem ler, e nem buscam aprender, incitando a falta do hábito de leitura deles e, posteriormente, de seus filhos. Analisando a psicanálise de pesquisas modernas, o hábito de leitura inicia-se entre a família, em casa, quando os pais influenciam, neuropsicologicamente, os filhos a terem os mesmos costumes religosos, culturais e regionais, assim como a leitura diária. Em síntese, o incessante desinteresse na prática da leitura dos jovens é resultado da influência incosciente dos parentes mais próximos em razão de multifatores, tal como o analfabetismo.
Depreende-se, portanto, que ações devem ser delegadas a fim de apoiar a busca do conhecimento cognitivo, criativo e oratório através da leitura no Brasil. Para tanto, o MEC, em sinergia com todas as livrarias do Brasil, deve tornar a leitura acessivel para todas as classes sociais por meio de um cartão vale-livro cedido aos jovens de 10 até 24 anos de idade, com o limite de 14 livros por ano, dando o direito do jovem leitor de comprar livros no valor líquido do produto, ou seja, sem o valor tributário. Paralelamente, o Poder Executivo deve impulsionar investimentos massivos para o EJA no engajamento do ensino adulto e preencher a lacuna do analfabetismo no país, coordenando projetos de leitura nas instituições de ensino adulto e assim facilitar a retomada do hábito de leitura de 11 milhões de adultos. Destarte, o Brasil servirá como exemplo no mundo, mistificando o futuro distópico de Fahrenheit 451 e valorizando a leitura como principal forma de conhecimento cognitivo e criativo.