Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 03/04/2021

Em 1808, a família real portuguesa adentra a colônia brasileira, levando consigo a sua biblioteca marcada por diversos livros da cultura europeia, mas a maior parte da população não teve acesso a esses livros, uma vez que eles eram destinados à elite.No contexto brasileiro atual, percebe-se a continuação de desafios para consolidar a prática da leitura, perpetuando um problema histórico da massa social que é privada de ler, apesar da importância dessa ação como estimuladora de conhecimento e lazer.Nesse sentido, devido à pouca atuação Estatal e à formação educacional deficitária emerge um problema complexo, sendo fulcral a sua desestruturação.

Em primeiro plano, destaca-se, por parte do Estado, a precariedade de ações que estimulem o ato de ler entre os brasileiros, o que contraria o direito constitucional ao lazer e a mecanismos de educação, como os livros.A esse respeito, o filósofo iluminista Jonh Lock defende que “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis”, ou seja, não basta apenas a criação de leis sem uma verificação delas na realidade social.Nessa lógica, entretanto, a legislação, por vezes, impede que haja a prática da leitura não somente ao dificultar o acesso a livros por meio da não implantação, por exemplo, de subsídios literários para os estudantes de baixa renda, mas também ao não investir na construção de bibliotecas públicas para proporcionar educação gratuita e cidadania.

Além disso, má influencia das escolas também contribui para a continuação da problemática.Sob essa ótica, o teólogo Rubem Alves alega que as escolas podem ser comparadas a assas ou a gaiolas, haja visto que podem proporcionar libertação ou limitação.Nesse contexto, a forma como os alunos vêem a leitura, muitas vezes como um ato entediante, pode ser moldada pela própria instituição, tendo em vista que o método tradicional de ensino, geralmente, tem se preocupado menos com a construção de um pensamento autônomo do estudante e mais com o simples cumprimento da carga horária das escolas, o que é refletido pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos que mostrou a grande negligência dos alunos em ler, cerca de 50%.

Portanto, necessita-se mitigar esse entrave.Para isso, cabe ao Ministério da Educação formular um auxílio literário para classes baixas por meio da inclusão dessa estratégia na base de Diretrizes Orçamentárias, com a finalidade de acessibilizar o acesso a livros, bem como de desinstituir a visão deturpada existente sobre a leitura.Ademais, cabe as instituições de ensino apoiarem essa ação por intermédio da sua divulgação em meios midiáticos, como as redes sociais. Assim, possivelmente, a prática da leitura será ampliada, contrariando o passado histórico do País.