Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 10/04/2021
Carlos Drummond de Andrade, cronista e poeta brasileiro, disse uma vez: “a leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede”. Seu pensamento se projeta para a atual realidade brasileira, haja vista que o hábito pela leitura é cada vez mais disperso, desestimulado e inconstante, o que reflete em prejuízos ao aperfeiçoamento intelectual e na cidadania dos indivíduos. Sem dúvidas, escola e família funcionam como agentes de problematização, assim como, de resolução da problemática.
Inicialmente, é fundamental considerar o papel das práticas educacionais no interesse pela leitura. Sob esse viés, convém analisar a narrativa baseada em fatos reais do filme norte-americano “Escritores da liberdade”. Nesse filme, a professora Erin, jovem e idealista, é recepcionada por uma turma desinteressada e marginalizada, e ao aplicar práticas educacionais problematizadoras – por exemplo, unindo contextos históricos com realidades sociais dos alunos –, consegue promover um estimulo e aceitação do conhecimento naqueles, tal como, a leitura do diário de “Anne Frank” e de outros clássicos literários. Logo, fica claro que professores com metodologias diferenciadas tem importante papel na construção de leitores. Contudo, no Brasil, infelizmente, a formação docente é permeada para um ensino tradicional e anacrônico que não estimula a prática de ler.
Ademais, é relevante entender como a família contribui para o problema. Nesse sentido, cabe aludir o pensamento do filósofo estadunidense Talcott Parsons: “a família é uma máquina que produz personalidades humanas”. Assim sendo, na medida em que os pais ou responsáveis não promovem a prática de ler, não servem como modelos ou utilizam a leitura como uma punição ou castigo se criam olhares reprováveis e negativos para com esse hábito. Com efeito, no seio familiar os indivíduos crescem sem reconhecer a leitura como algo fundamental a sua construção intelectual e cidadã.
Portanto, com o fito de promover o interesse pela leitura ações fazem-se necessárias. Desse modo, cabe as Universidades reestruturar o currículo de formação docente. Para isso, deve instituir na grade curricular maior ênfase em como promover e estimular a leitura – utilizando cursos e docentes especialistas em metodologias problematizadoras com foco na leitura–, a fim de formar docentes instigadores dessa prática. De outro lado, é dever da família, precocemente, estimular o hábito de ler. Isso será efetivado por meio da criação de momentos, espaços e rodas de leitura familiar, com o fito de habituar a prática de ler desde a mais tenra idade, e, ainda, evitar usar a leitura como algo punitivo, e sim, como um momento de prazer. Talvez assim se aguce a sede que Drummond outrora não chegara a ver.