Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 14/04/2021
Segundo a escritora Fanny Abramovich, é por meio da leitura que se pode descobrir tempos, lugares e óticas diferentes, nos quais o leitor conhece e aprende. De fato, a importância da manutenção de tal hábito, em particular para a educação, é inegável. No entanto, no Brasil, a promoção da cultura literária tem na falta de bibliotecas públicas e no incentivo escasso das escolas dado aos mais jovens as suas principais problemáticas.
Em primeiro plano, a falta de locais abertos ao público para leitura afeta diretamente a perpetuação do hábito, em principal ao dos mais pobres. De acordo com o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, o Brasil tem uma biblioteca para cada 34 mil habitantes, um número preocupante ao se por em pauta a democratização literária, sobretudo ao analisar que a maioria dos estabelecimentos estão distantes das periferias. Assim, as classes mais vulneráveis, as quais não tem condições financeiras de adquirirem livros, perdem a oportunidade de poder lê-los gratuitamente, por conta da falta de política em relação a criação de Bibliotecas, o que, consequentemente, estagna a formação de um hábito literário entre os mais desfavorecidos.
Ademais, mais um revés que dificulta a manutenção de uma cultura literária é o escasso incentivo, por parte escolar, dado aos alunos. Para o filósofo Platão, a maior virtude de uma criança é a de ser transformada em um grande adulto. E, tangente à seu pensamento, a prática literária tem um papel fundamental na formação do ser. Todavia, a despeito, o que se vê, em geral, são os estudantes apenas encararem a literatura como “trabalho”, feita para obtenção de notas. E a escola, em muito, tem papel central nessa pauta, pois os grandes autores são ensinados apenas com o viés voltado a inflação dos números no boletim, contrário a um aprofundamento das obras literárias, o que, por conseguinte cria um distanciamento e consequente afastamento, por parte dos jovens, com a literatura.
Destarte, são necessárias medidas para principiar o hábito literário na população brasileira. Para tanto, o Governo deve viabilizar a gratuidade literária para os mais pobres, por meio da criação de bibliotecas públicas nas periferias, com a distribuição gratuita de livros a crianças e adolescentes, para que neles suscite a vontade de conhecer a leitura. Paralelamente, o Ministério da Educação deve orientar os professores para que eles adequem suas aulas a fim de que os alunos criem maior interesse pela literatura, isto pode ser feito diante da manutenção de aulas teatrais, com o intuito de que os estudantes encenem grandes clássicos como Quincas Borba e Macunaíma. Em síntese, tais ações servirão para que, assim como preconiza Fanny Abramovich, à sociedade conheça e aprenda com a prática literária.