Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 20/04/2021

A constituição federal de 1988, prevê em seu artigo sexto, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto , tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase quando se observa os desafios para a prática de leitura no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para a democratização da leitura. Ao analisarmos os dados, apenas 52% dos brasileiros têm o hábito da leitura, e essa porcentagem tende a diminuir se a proposta do governo federal para a insenção de tributos nos livros for aceita.Tal proposta trás consigo a queda na venda de livros, visto que o aumento de preços desestimulará os clientes do mercado literário. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a falta de estimulo à leitura nas escolas e em casa como impulsionador da ausência de leitores no Brasil. O incitamento da leitura na infância é fundamental para formar um desenvolvimento intelectual e criativo, porém, quando os pais e professores não são leitores, o estimulo literário torna-se mais complexo e desafiador. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio da acessibilização dos livros, com a criação de mais bibliotecas públicas, e o desenvolvimento de ações sociais com o intuito de estimular a leitura nas escolas e comunidades, possa levar os livros para o cotidiano de mais brasileiros, pois, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes: " Conhecimento é poder". Assim, se consolidará uma sociedade mais igualitária, com educação acessível, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.