Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 27/04/2021

Na era moderna, após episódios de manipulação ideológica ocorridas em regimes autoritários, ocorreu um aumento exponencial na valorização da formação do senso crítico popular. Em contrapartida, no Brasil contemporâneo, percebe-se que esse panorama de progresso não se instalou com êxito, tendo em vista que a principal atividade estimuladora do raciocínio individual, a leitura, é pouco praticada. Dessa forma, torna-se imprescindível explicitar o principal prejuízo acarretado e o impulsionador central dessa carência folhativa: a colaboração com o controle das ideias e a elitização dos instrumentos educacionais pautados.

Diante desse cenário, é lícito postular que o abandono do ato de ler contribui diretamente para o manuseamento do senso comum. Nesse sentido, ao observar-se a Segunda Guerra Mundial, percebe-se que os livros são perigosos para a perpetuação da dominação das mentes, já que o ditador Hitler ordenou que os queimasse, pois eram perigosos para a perpetuação do regime. Paralelamente, cabe inserir o contexto do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, no qual é retratado o modo como um ser que não tem acesso à meios informativos, como os objetos citados, é explorado por aqueles que detêm o saber. Então, pode-se entender que, uma vez que essa prática informativa possui o poder de libertar os indivíduos da dominação, o descaso com a tal demonstra prejudicação do desenvolvimento de raciocínio necessário para as pessoas.

Ressalta-se, além disso, que a questão econômica é um sustentáculo central para a falta da leitura brasileira, em virtude dos altíssimos preços para obtenção desses produtos. Sob tal ótica, tal problema atenta, então, para o descumprimento da Constituição Federal de 1988, na qual se consta o direito plural à plena educação dos cidadãos, assim como a todos os métodos que a ela levam. Logo, já que recursos para a prática supracitada, como as obras literárias, são incompátiveis com a realidade dos grupos com diminuto poder monetário e os impede de acessarem aos tais, percebe-se que o distanciamento desse ato, motivado pela desigualdade social, aponta para o ferimento da abrangência educacional mencionada na Carta Magna.

Depreende-se, portanto, a urgência de medidas para a resolução da problemática. É mister que o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, decrete a distribuição dos produtos literários nas escolas, de maneira à garantir o acesso prometido constitucionalmente. Ademais, impere que os eventos que visem fornecer tais obras sejam abertos ao público, para que, tantos os alunos, quanto a população geral, consigam informar-se adequadamente. Assim, episódios como os ocorridos com Fabiano, retratados em Vidas Secas, não voltarão a ocorrer.