Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 29/06/2021
O livro “Anne with an E” retrata a intensa relação que a personagem principal possui com os livros, e o quanto o hábito da leitura foi fundamental para o seu processo de empoderamento e maneira de entender as relações sociais. Infelizmente, diferente dessa ficção, existe, no Brasil, um número limitado de leitores, o qual devido aos acréscimos nos preços das obras literárias e à ausência de uma grade curricular, no ensino básico, que estimule essa prática, apresenta uma população pouco consciente de sua realidade.
A princípio, é válido ressaltar que, em 1933, foram queimadas, em praça pública, na Alemanha, as obras de autores que poderiam influenciar ações contra o regime opressor da época. Esse fato histórico demonstra a importância da leitura em promover mudanças necessárias no corpo social, já que é a partir dela que os indivíduos são capazes de desenvolver um pensamento autônomo e crítico diante dos problemas sociais, e, com isso, conseguem solucioná-los. Além disso, a capacidade de analisar e questionar é necessária para executar atividades do cotidiano, tal como a identificação de notícias falsas veiculadas nos meios de comunicação, que é possível por intermédio da leitura.
Embora se prove indispensável a existência de leitores para a emancipação de uma socidade, esse exercício enfrenta grandes desafios no país decorrentes da elevação frequente nos preços dos livros e da carência de uma grade curricular que incentive nos estudantes o interesse pela leitura. Como confirma os dados da Associação Nacional de Livrarias: custo médio do livro cresceu cerca de 3,2% nos últimos anos. Consequentemente, essa problemática inviabiliza o acesso às obras, pois o valor é decisivo na aquisição de produtos, principalmente para os indivíduos com baixo poder aquisitivo. Ademais, o ensino regular atual solicita a leitura de textos pouco atrativos e de difícil interpretação para o público jovem, tal qual a obra de Camões, desse modo, os adolescentes se sentem desmotivados e não adquirem o prazer em ler.
Logo, cabe ao Poder Executivo disponibilizar livros gratuitos, através de verbas federais, para as comunidades mais carentes, na tentativa de tornar acessível as obras para todas as parcelas da sociedade. Também, o Ministério da Educação deve promover o hábito da leitura, por meio da reformulação da grade curricular da educação básica. Assim, nas disciplinas de literatura e português, os professores precisam realizar atividades com livros de interesse infantojuvenil, por exemplo a saga Harry Potter, para que as escolas possibilitem a formação de futuros adultos leitores, e, dessa forma, contribuam para a construção de uma população mais consciente.