Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 29/04/2021

Em cenários sociais dominados por regimes totalitários a posse de livros e a manifestação literária são considerados crimes hediôndos que são constantemente combatidos pelo Estado. Nesse contexto, a população local se submete à um extremo grau de alienação e submissão ao governo. Apesar das diferenças, em Estados democráticos, a prática de leitura, embora de extrema importância, apresenta impasses tanto pela negligência estatal quanto pela baixa média de livros lidos.

Nesse viés, de início, vale realçar que o desamparo estatal possibilita o baixo consumo de literatura. Assim, o entrave decorre, principalmente, dos altos preços associados aos livros e da mínima quantidade de bibliotecas públicas disponíveis. Assim, o acesso aos meios de informação fica restrito às camadas da população detentoras de mais recursos, que podem pagar pelo privilégio de desfrutar de meios culturais. Tal situação se mostra de encontro aos artigos constitucionais da Carta Magna, que asseguram à todos os cidadãos o direito à educação e à cultura. Acerca disso, é visível, portanto, que as classes sociais à margem dos benefícios constitucionais tendem a ter um senso crítico menos aguçado, refletindo, por conseguinte, na participação cidadã.

Ademais, a baixa média de livros lidos ao ano pelo brasileiro é uma consequência da falta de incentivo à prática de leitura. Sob esse aspecto, no cenário distópico do livro ´´Farenheit 451´´, os habitantes do país , embora pressionadas por leis governamentais que criminalizavam o ato de ler, passaram a não mais consumir literatura, por vontade própria, o que combinado à falta de incentivo para a formação do pensamento crítico resultou em uma massa de pessoas alienadas. Dessa forma, semelhante à  ficção, os brasileiros estão cada vez mais submissos às notícias faltas propagadas na internet, o que decorre principalmente da má interpretação dos fatos. De certa maneira, o problema apresentado está intimamente associado aos baixos índices de leitura , assim o pleno desenvolvimento de capacidade interpretativa torna-se ineficaz frente à inconstância da prática.

Destarte, o Ministério da Educação, deve conceder um auxílio para a compra de livros, este destinado à população com menos recursos, por meio de cupons de desconto, objetivando democratizar o consumo. Além disso, ONG´s  voltadas à prática de leitura, devem promover projetos que visem persuardir a entrada no mundo literário, por meio de oficinas de construção de leitores, que apresentem as mais diversas formas de gêneros literários a fim de incentivar o consumo, facilitado pelos cupons, e, ainda, desenvolver o indivíduo criticamente.