Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 29/04/2021

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o desábito da leitura, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela ausência de bibliotecas públicas na comunidade, seja pela supressão do interesse da população no hábito da leitura. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

Primeiramente, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a carência de bibliotecas públicas no ambiente urbano e educandário rompe essa harmonia, haja vista que dados apresentados pelo “G1”, três a cada dez cidades tem uma livraria disponível para uso da população. Isso acontece pela falta de investimento em espaços de leitura, dificultando demasiadamente o acesso a obras da quinta arte.

Outrossim, destaca-se o entretenimento desregrado dos jovens e adultos nas mídias sociais como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalizada e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que a substituição da leitura e do conhecimento pelo entretém exagerado amoldado em redes sociais, piora de maneira drástica a situação do quadro apresentado.

É evidente, portanto, que ainda há entrave para garantir a solidificação de politicas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Economia deve disponibilizar renda para a construção de salas de leitura em diversas cidades brasileiras, promovendo uma democratização generalizada nos lançamentos literários. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que incentivem a prática de leitura no Brasil, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.